Em excelente texto para a Revista Oeste, Jose Roberto Guzzo dá o tom para a melodia que deveria ser cantada em todo o Brasil. Foi lá que me abriguei para essa nossa conversa. Ele afirma que, na visão do STF, o principal perigo para a democracia é a democracia. Parte da sociedade, alguns setores da imprensa e até mesmo do Poder Judiciário dão sinais de que a democracia pode mesmo levar o povo a escolher governos não autorizados pelo Supremo. Coisa assim, para Moraes, Barroso, Gilmar e seus pares é inegociável. É incompreensível que escolhas democráticas devam satisfação e precisem ser avalizadas pelo STF. Ainda que o Supremo reiteradamente avance sobre outros poderes e subverta a vontade popular, na democracia as escolhas cabem somente aos eleitores, partidos políticos e candidatos. Por aqui, não tem sido assim. Mestre Roberto Guzzo lembra que Supremo de hoje funciona como chefatura nacional de polícia e, para nos calar criou; o Centro de Enfrentamento aos Direitos Individuais e às Liberdades Públicas, Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia, o Centro de Enfrentamento às Punições por Crimes de Corrupção, Centro de Enfrentamento às Leis Aprovadas Pelo Congresso, além do Centro de Enfrentamento à Verdade dos Fatos, este comandado pelo ministro Luiz Roberto Barroso.
Por enquanto a democracia ainda nos permite dizer que o Brasil de hoje tem presos políticos. Tem também exilados que fogem do país, para escapar dos cárceres de Alexandre Moraes. Tem inquéritos policiais perpétuos, censura oficial nas redes sociais, contas bancarias bloqueadas e passaportes confiscados. Além do que todas as provas contra corrupção, mesmo incluindo confissão e devolução do dinheiro roubado, são anuladas pela Corte Suprema. Como se vê o maior perigo para a democracia não é a democracia.
Vicente Lino.