A Câmara acaba de aprovar mais um obsceno benefício a favor dos parlamentares. Como se sabe, suas excelências reiteradamente operam com o objetivo único da defesa de seus interesses e privilégios. O eleitor fica para depois. A excrescência de agora tem o nome de Pec da Anistia e quer isentar os partidos políticos do pagamento de multas por falta de prestação de contas em campanhas eleitorais. Indignado, o procurador Roberto Livianu, considera a aprovação do projeto uma verdadeira aberração, uma situação em que houve uso abusivo do poder na Câmara. Segundo ele, tivemos aí um momento, uma página muito ruim, triste e lamentável da história política do Brasil. A tal PEC da Anistia prevê que os partidos políticos podem utilizar recursos do Fundo Partidário para “parcelamento de sanções e penalidades de multas eleitorais, outras sanções, débitos de natureza não eleitoral, devolução de recursos ao erário, e devolução de recursos públicos ou privados imputados pela Justiça Eleitoral, inclusive os de origem não identificada”.
A coisa fica assim. Depois de aprovar um fundo eleitoral de absurdos 4,9 bilhões de reais, para financiar suas campanhas políticas, suas excelências vão poder usar essa dinheirama para pagar as multas decorrentes da má utilização dos recursos. Assim, nosso dinheiro poderá ser utilizado para cumprir sanções pelo recebimento de recursos, até sem origem identificada. O famoso caixa-dois. Juristas avaliam que se a PEC for aprovada pelo Senado, o Brasil vai piorar, ainda mais, no Índice de Percepção da Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional. Por enquanto, estamos no mesmo patamar de países como Zâmbia, Argélia, Sérvia e Ucrânia. Ocupamos a 104ª posição, no índice que avalia a corrupção em 180 países. Projetos como esse destroem a credibilidade das instituições e da classe politica brasileira.