Como se sabe, no próximo dia 28 serão realizadas as eleições na Venezuela. Talvez seja força de expressão falar em eleições, num país que tornou inelegível a candidata Maria Corina. Conforme pesquisas ela alcançava esmagadora preferência dos eleitores. Muito menos, se poderá falar em eleições livres quando entre 3,5 a 5,5 milhões dos venezuelanos que moram fora do país, e poderiam votar, somente 69 mil conseguiram se habilitar para participar do processo eleitoral. O que se sabe é que aquele país mantém inúmeros presos políticos, não tem imprensa livre nem judiciário independente, o que transforma as pretensas eleições livres num obsceno jogo de cartas marcadas. Nesse cenário é pouco provável que a oposição vença e, se vencer, é, também improvável que Nicolás Maduro entregue o poder. Nesse triste cenário, Lula achou de bom tom fazer votos para que as eleições na Venezuela transcorram de forma tranquila e que o resultado seja reconhecido por todos.
Ele sabe que as eleições por lá não serão livres nem justas. Pedir que o resultado seja reconhecido por todos é fingir não saber que o presidente Maduro está fazendo de tudo para minar as chances da oposição. Assim, o vencedor para o qual Lula reclama antecipadamente o reconhecimento é, claro, o seu companheiro. Considerando seu triste histórico ditatorial as eleições na Venezuela não serão capazes de esconder o fato de que aquele regime corroeu as instituições e se estruturou na corrupção. Nicolás Maduro barrou a entrada de observadores eleitorais da União Europeia, para aceitar observadores fieis ao regime que escraviza o povo e reza pela sua cartilha. Para validar a farsa, um dos observadores será o MST e o outro será um tal de Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos. Em cenário assim é impossível acreditar em democracia.
Vicente Lino.