Reportagem da Gazeta do Povo exibe irrefutável semelhança entre as ações de Alexandre de Moraes, no Brasil e Nicolás Maduro, na Venezuela. Os dois afirmam que suas ações são em permanente defesa da democracia. Por isso mesmo se julgam no direito de suprimir a liberdade de expressão, perseguir jornalistas, regular as redes sociais e fazer valer uma única visão de mundo. É o explica essa multiplicação descontrolada de violações da legalidade, da ordem e dos direitos individuais dos cidadãos de ambos os países. São obcecados em dar ordens que não podem ser contestadas por ninguém. Lá como cá, há enorme esforço para calar as redes sociais e impedir que sejam o espaço para livre manifestação do pensamento. Durante o processo que apurava as eleições por lá, Nicolás Maduro recomendou a população que deixasse de usar o Whatzapp, impôs silêncio de 10 dias ao Tweeter e acusou a rede de tentar um golpe de estado cibernético, fascista e criminoso.
Por aqui, Moraes acusa as redes sociais de permitirem a instrumentalização criminosa de milícias digitais. Ele afirmou que as redes foram coniventes com o gravíssimo atentado ao Estado Democrático de Direito, para a destruição do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, naquela tentativa golpista do 8 de janeiro. Não sabemos até quando Venezuelanos e Brasileiros vão suportar os brutais ataques à democracia, perpetrados por autoridades que fingem defendê-la. Lá como cá, ocorrem prisões arbitrárias, cassação de direitos, emigração forçada por conta de perseguições políticas e desrespeito ao devido processo legal. Lá como cá, o poder Judiciário, o Congresso e a imprensa estão em vergonhoso silêncio e, por isso mesmo, se tornam cúmplices de um corrida para o desastre.
Vicente Lino.