Bruno Perez é jornalista e se reelegeu para mais um mandato na Câmara dos Vereadores de Boa Vista, em Roraima. Em seu primeiro mandato, ele montou um gabinete na rua para ouvir o povo, segundo ele, fora do conforto de gabinetes. A escolha de auxiliares competentes e interessados fez brotar o trabalho, agora reconhecido pelos moradores da capital que o reelegeram. Como jornalista e radialista, em Roraima, desde 2008, o vereador conta o tamanho do problema e das dificuldades enfrentadas pela prefeitura e pelos brasileiros, após chegada dos primeiros venezuelanos na cidade. Em 2008, não havia um único morador de rua na cidade. Chegaram famílias inteiras e, agora, são 10.000, só as crianças venezuelanas matriculadas nas escolas de Boa Vista, dos mais de 50.000 matriculados na rede municipal da cidade. Os horrores da ditadura de Nicolás Maduro força a saída desesperada e desenfreada de pessoas que chegaram e ocuparam parques, jardins, rodoviária e outros espaços públicos.
Sem banheiros e sem estrutura para atendimento, as áreas de lazer da cidade agora transbordam sujeira e lixo, com barracas amontoadas e pessoas dormindo nas ruas. O vereador trabalha para encontrar solução, enquanto hospitais e clínicas de saúde estão cada vez mais abarrotadas. Por conta do acordo de cooperação entre o Brasil e Venezuela, os venezuelanos têm direito à toda documentação e disputam vagas com brasileiros nas escolas e hospitais. Pior, já há denúncias de falsificação de documentos para o BPC aos que chegam, bem como, o aumento da criminalidade. Recentemente, a polícia descobriu um cemitério clandestino com 9 corpos ainda sem identificação. Bruno Perez confessa que tem trabalhado muito, mas o trabalho de vereador não consegue a ajuda necessária das autoridades estaduais. É pena, mas o governo brasileiro usa os venezuelanos apenas como rasteira propaganda política.
Vicente Lino.