O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou o mandato com um discurso para ser ouvido no mundo inteiro. Segundo ele, seu governo adotará só 2 gêneros como política oficial –masculino e feminino. Por aqui, ainda não nos livramos dos exageros e, em alguns casos, do desrespeito como são adotadas medidas sobre inclusão, aborto, justiça e outras estranhezas que somente a reação do Congresso e da sociedade conseguirão mudar. Tanto é verdade, que a União dos Escoteiros do Brasil acaba de anunciar uma nova política de diversidade, em que a divisão de espaços íntimos deverá ser feita de acordo com o gênero e não pelo sexo biológico. Não sabemos se a entidade se preocupou em estabelecer um equilíbrio cuidadoso entre a inclusão e a proteção das crianças, e se os responsáveis sabem que nenhuma mudança deve ser feita sem uma reflexão profunda sobre as possíveis consequências. Especialistas apontam que, essa decisão gera preocupação no que diz respeito à privacidade e segurança, especialmente de meninas e mulheres, incluindo possíveis implicações sociais e psicológicas.
Também, não nos parece tão simples equilibrar a segurança e a inclusão sem colocar outras crianças em risco. João Malheiro, doutor em educação pela UFRJ, afirma que não é conveniente colocar crianças e adolescentes usando espaços íntimos de forma mista. Segundo ele, medidas como essa são claramente facilitadoras de violências sexuais. Em nota oficial, a Matria, Mulheres Associadas, Mães e trabalhadoras do Brasil, também se manifestou contra a nova política dos escoteiros e afirmou; “em nome de uma inclusão que ignora aspectos biológicos e culturais amplamente reconhecidos, as novas diretrizes colocam meninas em situações potencialmente desconfortáveis e até em risco, desconsiderando a importância de preservar a privacidade e a segurança em ambientes compartilhados”. Infelizmente, União dos Escoteiros do Brasil não pensa assim.
Vicente Lino.