Tinha gente de todo lugar na festa que comemorou a eleição de Hugo Motta, como presidente da Câmara dos Deputados. Tinha ministros do governo Lula e empresários, como Wesley Batista, fundador da JBS, que foi delator na Operação Lava Jato. Hugo Motta não deu um pio sobre a anistia aos presos do 8 de janeiro. Em compensação, a festa foi animada pelo cantor de forró paraibano Luan Estilizado. Também, não se comprometeu com o projeto sobre abuso de autoridades, ou o impeachment de ministros do STF. Em compensação, o cardápio da festa tinha camarão crocante com rapadura e caldo de moqueca. Não disse nada sobre a notícia, no site Poder 360, que identificou 1.202 projetos esperando deliberação do Senado. Em compensação mandou servir aos ilustres convidados, filé mignon e risoto de queijo grana com rapadura.
Ninguém ouviu Hugo Motta falar em reforma administrativa ou reforma política. Em compensação eram oito as opções de sobremesas. O noticiário não informou sobre as presenças de gente como Marcel Van Hatten, Rogerio Marinho, Nikolas Ferreira, Eduardo Girão ou Caroline de Toni, no forró do Hugo Motta. Em compensação, a festa reuniu os ministros de Lula: Alexandre Padilha, Paulo Teixeira, André Fufuca, Silvio Costa Filho e Luciana Santos, além da presidente do PT Gleisi Hoffmann. Coisas assim ocorrem, quando aqueles que estão no poder se comportam de maneira muito distante do país real e se apegam a comemorações que distorcem a realidade. É esse grupo em animada festança, que continua dificultando o caminho para o diálogo e conciliação do país. É essa indiferença que torna o processo de pacificação e reconciliação muito mais desafiador, além de gerar cansaço e indignação no brasileiro de bem.
Vicente Lino.
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