A desconexão entre as autoridades e a realidade enfrentada pela população, descrita em reportagem da Gazeta do povo, mostra que o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso liderou o ranking no número de voos em jatinhos da FAB, em 2024. O homem voou 143 vezes e mandou botar na conta dos pagadores de impostos a bagatela de R$ 2,7 milhões de reais. Por não se importar em utilizar recursos públicos de forma tão recorrente sem a devida transparência o então, Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, embarcou 124 vezes em jatinhos da FAB e mandou a conta de R$ 2,8 milhões para gente pagar. Sem dar a menor bola com o desgaste na confiança da população e confirmando que há uma classe política que se beneficia de privilégios enquanto o povo sofre com dificuldades, o Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, voou 64 vezes nos jatinhos da FAB. Em um único voo para Roma, o homem gastou 256 mil reais e depois mandou para o povo pagar o total 1,2 milhões de reais.
Do lado de cá, a população vive o Brasil real afastado da bolha criada pelos que estão no poder. O flagelo está no fato de que essas mesmas autoridades têm poder para criar e aprovar leis que regulam seu próprio comportamento. Se beneficiam de uma estrutura de poder que não conseguimos mudar. É perda de tempo afirmar, mas o afastamento entre os governantes e os governados fica ainda mais evidente quando aqueles que estão no topo das instituições parecem estar acima das leis e da fiscalização pública. É fato que uso de jatinhos da Força Aérea Brasileira para fins pessoais, especialmente em números tão altos, é abuso de poder e falta de responsabilidade. Poderiam ser evitadas se houvesse princípios, bom senso e ética. Mas aí, já seria pedir demais.
Vicente Lino,