A gente ainda se lembra de quando o atual vice-presidente, Geraldo Alckmim, bradou, em voz alta, que Lula queria voltar à cena do crime. Não demorou muito tempo para se juntar ao antigo oponente e agora convivem nas mesmas cenas. No passado, não muito distante, os escândalos da era petista, como o Mensalão e a Lava Jato, envolveram cifras gigantescas e atingiram a cúpula do governo, algo sem precedentes na política brasileira. A devolução de dinheiro desviados por delatores e empresas envolvidas mostrou a dimensão da corrupção. A anulação de condenações e a soltura dos condenados geraram indignação. Como a indignação não resolve nada contra a impunidade que permeia a justiça brasileira, o PT, agora com Alckmin como vice-presidente, decidiu voltar à cena do crime. Tanto é verdade que o Tribunal de Contas da União, acaba de pedir explicações sobre os pagamentos feitos a estudantes no Programa Pé-de-Meia, após reportagens revelarem ilegalidades. Nada de novo. Desta vez a coisa foi assim; sem aval do Congresso o governo federal desembolsou neste ano R$ 3 bilhões no Pé-de-Meia. É aquela jogada que paga mesada a estudantes do ensino médio contra evasão escolar.
A moçada volta à cena do crime, fingindo não saber que recursos operados fora do Orçamento da União, ferem a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a própria legislação que criou o tal Programa Pé-de-Meia. Os ministros Camilo Santana, Rui Costa e Jorge Messias, procuraram o TCU para evitar que o órgão abra a investigação. Levantamento constatou que há mais beneficiários do programa do que alunos matriculados em, pelo menos, três estados. Bahia, Pará e Minas Gerais. E das dez cidades onde há mais gente recebendo o benefício, em nove Lula teve mais votos na eleição de 2.022. É tudo no Nordeste. Daqui a pouco, a gente constata que os alunos não aprenderam nada, a dinheirama evaporou e ninguém foi punido. Como sempre, aliás.
Vicente Lino.