O Deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou ter conseguido 310 assinaturas para votar a urgência do Projeto da Anistia. Ainda assim, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinalizou na semana passada que não cederá à pressão para pautar o projeto. A gente não sabe o que vai na cabeça do Hugo, mas ele afirmou em conversa com líderes da direita e da esquerda, que irá consultar todas as lideranças partidárias, antes da decisão. Talvez não tenha enxergado milhões de brasileiros na Av. Paulista, clamando pela anistia. Hugo Mota tem dificuldade para entender que a anistia é um instrumento jurídico e político que pode e deve ser usado para pacificar um país, para que grupos deixem de ser perseguidos ou punidos. E precisa saber que a Lei da Anistia de 1979, beneficiou tanto opositores do regime militar quanto agentes da repressão, com o argumento de que isso ajudaria na redemocratização. E deveria explicar que motivos o impedem de cumprir o seu dever e atender aos apelos da maioria do povo brasileiro. Como se sabe, a anistia de 1979, foi concedida aos que cometeram crimes muito mais graves.
Além do que, em 2002 foi aprovada a lei nº 10.559 que? estabeleceu indenizações para anistiados que sofreram perseguições. Até 2009, o governo federal havia desembolsado aproximadamente R$ 2,5 bilhões em pagamentos únicos a esses anistiados. Considerando as pensões mensais vitalícias concedidas, o montante total se aproximava de R$ 3 bilhões naquele período. Parte da tigrada que hoje nega a anistia, foi anistiada no passado. Foram indenizados e a conta está sendo paga por pessoas as quais hoje negam a anistia. Em 2010, os custos relacionados às reparações econômicas aos anistiados políticos, de 1979, alcançaram R$ 3,019 bilhões nos últimos sete anos, incluindo tanto as prestações mensais quanto as indenizações retroativas. Os que agora negam anistia e continuam recebendo indenização, após a anistia do passado, demonstram um misto de crueldade e enorme hipocrisia. Hugo Mota continua devendo explicações.
Vicente Lino.