O senador Eduardo Girão cobrou a apuração das denúncias envolvendo a CBF. Nas últimas décadas, todos os cartolas que passaram por lá frequentaram o banco dos réus. Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo, já foram presos, condenados, banidos ou destituídos por corrupção ou má gestão. A coisa agora foi assim; o atual presidente, Ednaldo Rodrigues foi deposto do cargo após decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O cartola recorreu aos tribunais superiores em Brasília e pagou 6,5 milhões, da CBF, para o advogado Pedro Trengrouse defende-lo. A coisa estava tão complicada que até o advogado Rafael Barroso Fontelles, sobrinho do ministro Luís Roberto Barroso, já havia perdido recurso no Superior Tribunal de Justiça e no próprio STF. Então, o secretário-geral da CBF, Alcino Reis Rocha, interpôs nova ação no Supremo, por iniciativa do seu partido, o PCdoB. Conforme regimento interno do Supremo, o novo recurso deveria ser encaminhado ao ministro André Mendonça. Mas Luís Roberto Barroso mandou o recurso para sorteio e a coisa caiu nas mãos do ministro Gilmar Mendes.
Vale lembrar que, desde 2023, o ministro Gilmar Mendes tem relação direta com a CBF, por intermédio do IDP, Instituto do qual é sócio. Em seguida, o advogado de Ednaldo Rodrigues se reuniu com Francisco Mendes, diretor geral do IDP e filho do ministro Gilmar Mendes. Em agosto, a CBF assinou contrato com o IDP, pelo qual o Instituto passava a gerir os cursos da CBF e ficava com 84% da receita estimada, naquele ano, em 9,2 milhões de reais. 16%, ficava com a CBF. Por coincidência, conforme reportagem da Revista Piauí, em fevereiro Gilmar Mendes aceitou o recurso do PCdoB e homologou um acordo validando a eleição de Ednaldo Rodrigues. Determinou que o tribunal desse integralmente cumprimento à decisão, extinguindo todos os processos pertinentes. Outra coincidência; seis jornalistas da ESPN Brasil foram suspensos após críticas à gestão de Ednaldo Rodrigues à frente da CBF. Não se sabe a mando de quem.
Vicente lino.