Recentemente os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes voaram, mais uma vez, para os Estados Unidos, para falar do Brasil. Eles entendem que o país precisa de um processo civilizatório e são eles os indicados para essa missão, mesmo sem autorização de ninguém. O Brasil ficará bem melhor quando juízes deixarem de assumir missões que não lhes foram atribuídas. Em entrevista à revista The New Yorker, no seu reiterado propósito de calar as redes sociais, Moraes afirmou que se o ministro de comunicação de Hitler tivesse acesso ao X, os nazistas teriam conquistado o mundo. Luís Roberto Barroso, falou na tal missão do STF de enfrentar o populismo autoritário e o extremismo. Gilmar Mendes teve coragem para afirmar que a manutenção da democracia no Brasil é um ativo que nós podemos apresentar ao mundo. Andam espalhando por lá, que o STF salvou o Brasil de um colapso institucional.
O jurista Luiz Augusto Módolo, afirmou, em artigo para a Gazeta do Povo que nada faria melhor para a imagem dos ministros, aqui ou nos EUA, que simplesmente voltar a julgar como gerações de ministros antes deles fizeram no Brasil: arbitrar conflitos e deixar os atores legitimados para outros assuntos livres para atuar. Corretíssimo. Afinal, a legitimidade para esses debates é dada aos políticos eleitos pelo voto popular. São os políticos que renovam seus mandatos periodicamente, com um julgamento implacável vindo do público eleitor. O jurista Luiz Augusto, conclui que a normalidade institucional depende justamente de que os ministros deixem de lado este papel que não lhes cabe. E que quando estes juízes desistirem dessas missões que o povo não lhes atribuiu, o ambiente conturbado em que vive o Brasil começará naturalmente a se desanuviar. Concordamos todos que mais que passou da hora.
Vicente Lino.