A exploração sexual de crianças na Ilha de Marajó é tema recorrente e muito grave no Brasil, e já foi denunciado por diversas personalidades e órgãos, incluindo a ex-ministra Damares Alves. A sociedade já viu essa triste questão ser discutida em uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, em 2010 e, apesar da seriedade do caso, até agora ninguém foi punido. Mais uma vez o tema volta para o debate público, desta vez por meio de uma associação de advogados, conhecida como “ Grupo Prerrogativas”. Este grupo formado por apoiadores do presidente Lula, acaba de acionar a Procuradoria Geral da República, acusando Damares da Silva de beneficiar igrejas no Marajó, quando comandava o Ministério da mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A senadora reagiu afirmando que as acusações são infundadas e que a denúncia não apresenta qualquer documento ou testemunho isento que comprovem as alegações. Disse também, que as denúncias levantam suspeitas e têm o objetivo de impedir a ação de quem quer proteger crianças, adolescentes e mulheres da região de abusos sexuais. Damares afirmou “Todas as vezes que eu levanto a pauta do combate à pedofilia, lá vem o Grupo Prerrôgativas com uma ação contra mim. Estranha coincidência”.
Como se sabe, já foram realizadas quatro CPIs no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa do Pará, que apontaram a existência de uma rede criminosa que atua na região para abusar de crianças. Damares Alves afirmou que, quando se tornou ministra resolveu agir e os ataques do Grupo Prerrogativas se intensificam sempre que o tema da pedofilia voltou à pauta. O senador Marcio Bittar criticou o Grupo por atacar quem combate estupradores e pedófilos e que o grupo deveria estar ao lado da senadora e não a atacando. A senadora vai acionar o Grupo Prerrogativas na justiça e ainda cobrar uma reparação pública pelas acusações feitas contra ela. Ainda bem. Passou da hora de a sociedade civil pressionar as autoridades para a punição aos responsáveis pelos crimes na ilha do Marajó.
Vicente Lino.