Lá atrás, em 2016, foi criada a Lei das Estatais que tinha o objetivo de aumentar a governança, a transparência e a eficiência na gestão das empresas públicas. A ideia era estabelecer requisitos técnicos para a nomeação de diretores e membros de conselhos. E, afastar a perniciosa influência política que sempre resulta na nomeação de gente incompetente e desonesta cujo único compromisso é com o grupo partidário. O interesse público vem depois, quando vem. Vale lembrar que, após a aprovação dessa lei, houve um período em que algumas estatais apresentaram melhoria em seus resultados financeiros e lucratividade. Em 2021 o lucro foi de 188 bilhões, o maior desde 2008. Empresas como Petrobras, BNDES, Banco do Brasil, Caixa e Eletrobrás deram lucros. Como para o Brasil decente o que é bom dura pouco, as alterações na Lei abriram porteiras para o vergonhoso retorno das indicações políticas, comprometendo a gestão técnica e a busca por resultados. Tivemos apenas, o escancaramento do cabide de emprego e os maus resultados não demoraram para aparecer. Em 2024, o déficit acumulado chegou a R$ 8,07 bilhões e, em 2025, o Banco Central apontou um déficit recorde de R$ 2,73 bilhões nos primeiros quatro meses.
É coisa antiga. Em 13 anos de governo, o PT criou 43 novas estatais e agora aumentou para 522.400 o número total de funcionários. Para não variar nada, o Governo Lula acaba de criar 273 cargos políticos em 16 companhias federais para a tigrada do PT, partidos aliados e familiares. O noticiário dá conta de que, além dos cargos comissionados, houve acréscimo 105 funções de confiança selecionados por diretores das empresas. Vale questionar a meritocracia e a qualificação técnica dos indicados, principalmente quando se sabe que as empresas estão sendo usadas para fins políticos em vez de priorizar a eficiência e o interesse público. Segue a farra e o uso da máquina pública para beneficiar grupos políticos. É uma praga que distorce o processo democrático e desvia recursos, enquanto o Brasil que trabalha paga a conta. É o que nos resta, aliás.
Vicente Lino