A nota divulgada, após a 17ª Cúpula, do grupo formado pelos países que compõem o BRICS, dá sinais de que o bloco abandonou sua orientação inicial, que era o estabelecimento de parcerias e ações para o desenvolvimento econômico e social do bloco. Agora, o documento revela que o grupo adota apenas um viés político. E o pior é que essa reviravolta é ditada por interesses chineses e russos, nações nada democráticas. É preocupante que o Brasil, nos dias de hoje, faça parte do grupo apenas pela afinidade ideológica do Presidente Lula com líderes autoritários. É correta a observação do deputado Rodrigues Valadares. Segundo ele, se o governo Lula está usando o Brics como palanque ideológico para se alinhar com ditaduras e regimes autoritários, isso enfraquece a credibilidade internacional do Brasil e afasta parceiros comerciais sérios, como Estados Unidos e União Europeia.
Além do que, esse pernicioso alinhamento fragiliza a credibilidade do Brasil junto às democracias liberais e às instituições internacionais e ameaça comprometer investimentos e acordos comerciais com parceiros estratégicos. Por isso mesmo, o Brasil corre o risco de se isolar das principais cadeias globais de valor, além de se distanciar de fóruns onde a democracia e os direitos civis são princípios fundamentais. A cegueira de Lula pode ter como resultado, um Brasil com menos acesso a mercados, menos investimentos estrangeiros diretos e, principalmente, menos voz nos grandes debates globais. O presidente brasileiro desnuda uma participação desequilibrada no debate e avança por um caminho que pode custar ao país, em termos de reputação. Dentre tantos outros, esse posicionamento do Brasil será mais um desastre internacional.
Vicente Lino.