A gente ainda se lembra da posição de Lula, em relação às eleições na Venezuela e ao regime de Nicolás Maduro. O Brasil não se juntou aos países ocidentais que condenaram abertamente o resultado. Conseguiu ser pior, até que o esquerdista presidente do Chile, Gabriel Boric, que criticou publicamente o regime venezuelano. Essa ação ignorou o fato de que apoiar um regime desacreditado tem sérias implicações diplomáticas e geopolíticas. Claro que, de lá para cá, as coisas só poderiam piorar. Agora, o governo dos EUA aumenta o prêmio pela captura de Maduro para 50 milhões de dólares e, junto com o prêmio volta a exibir o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com revelações aterradoras. De acordo com o relatório, a Venezuela mantém 903 presos políticos. Entre esses, alguns não têm nem o paradeiro conhecido pela família. Em 64 casos, as únicas notícias que chegam aos familiares são pedidos anônimos por roupas e remédios, sem qualquer pista sobre localização ou situação processual.
O governo e a imprensa daqui fingem que nada disso acontece. Lá e cá, as coisas só se agravam e, precisamos evitar chegar ao ponto em que chegou o país vizinho. O relatório divulgado pela OEA sustenta que das 25 mortes de manifestantes contra a reeleição fraudulenta de Maduro, 24 foram por tiros na cabeça ou no peito. Nenhuma das vítimas tinha vínculo com grupos armados. Seria o momento para divulgar os absurdos cometidos lá e, também aqui no Brasil. Nossa imprensa ainda não se deu conta de seu papel na sociedade, especialmente em contextos de violações de direitos humanos, que seu trabalho é essencial para a justiça futura e para que as atrocidades não sejam esquecidas. Infelizmente, os outros poderes, também falham miseravelmente em cumprir seu dever de nos proteger, vítimas que somos do mais abjeto autoritarismo.
Vicente Lino.