Imediatamente após a aprovação do pedido de urgência para o processo de anistia, começaram os argumentos favoráveis a uma anistia apenas parcial. Pretendem diminuir algumas penas e deixam claro que a anistia só será aprovada se não alcançar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que contraria o alcance de uma verdadeira anistia. A escolha do deputado Paulinho da Força, para relatar o projeto só aumenta a desconfiança de que o projeto seja uma anistia consentida pelo STF e não um verdadeiro perdão a todos os envolvidos, como já se fez no passado.
Antes mesmo do início dos trabalhos, o relator, Paulinho da Força, declarou que uma anistia ampla é inviável e que o projeto final buscará agradar aos dois espectros políticos. O presidente Lula já sinalizou que, caso Bolsonaro seja anistiado, ele vetará o projeto. Lamentavelmente, o único objetivo parece ser o de manter Bolsonaro preso, inelegível e fora das eleições de 2026. Neste sentido, a necessária paz não será alcançada.
O país continuará andando em círculos e reprovado por organismos internacionais, nossas autoridades seguirão sancionadas mundo afora e a economia submetida a insustentáveis tarifas comerciais. Somente uma anistia ampla, geral e irrestrita viraria a chave para o país superar uma série de erros cometidos principalmente pelas instituições.
Não foi o povo a praticar ataques ao presidente americano e aplaudir ditaduras como as do Irã, Venezuela, Nicarágua, China e Rússia. Não foi o povo a prender sem processo e desrespeitar a constituição. Foram as instituições que cometeram os maiores e mais grosseiros equívocos e, por são elas que precisam da anistia. Embora o governo e o Supremo não queiram perdoar ninguém, nós, que sofremos com seus erros, estamos prontos para anistiá-los, para que o Brasil finalmente alcance a paz.
Vicente Lino