Após a notificação de 43 casos de contaminação e duas mortes por ingestão de bebida alcoólica adulterada, em São Paulo, tivemos a notificação de outras três mortes por suspeitas envenenamento em Pernambuco. Aí, parece que as autoridades começaram a se mexer.
A Gazeta do Povo afirma, em reportagem que a crise de falsificação de bebidas alcoólicas não nasceu da noite para o dia. Seis meses antes das primeiras mortes por metanol serem confirmadas, a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo já fazia um alerta grave, que passou sem chamar a atenção da opinião pública e da imprensa: até 36% de todas as bebidas alcoólicas vendidas e consumidas no Brasil eram alvo de fraudes, incluindo grande volume de bebidas falsificadas, adulteradas ou contrabandeadas.
Pesquisas da Federação já apontavam que os produtos mais afetados com a prática criminosa são vinhos e destilados, além de outro alerta importante: uma a cada cinco garrafas de vodca vendidas no Brasil é falsificada. Agora, o Núcleo de Pesquisa e Estatística, que representa 500 mil empresas paulistas entre hotéis, bares, restaurantes, lanchonetes e padarias, e mais de 20 sindicatos patronais, afirma a necessidade de as autoridades colocarem em prática uma ação articulada para desmantelar esse esquema das falsificações. O diretor-executivo da Federação Edson Pinto, afirma que, a entidade está acompanhando com muita atenção os casos de intoxicação, possivelmente por metanol, divulgados pela mídia nos últimos dias.
Edson pinto foi categórico: "Há seis meses, já havíamos alertado o mercado sobre a prática, por meio de um levantamento que nos apresentou porcentagens assustadoras de fraude. Se as autoridades não agirem firmemente, este esquema, que agora está colocando vidas em risco, não chega ao fim nunca”. Autoridades devem explicações.
Vicente Lino.