Boa notícia. Em declaração a jornalistas em um evento na Bahia, O ministro Luís Roberto Barroso sinalizou que pode deixar o STF, antes da aposentadoria. Afirmou também que é muito difícil deixar o Supremo, para quem tem compromisso com o Brasil, como ele tem. A boa notícia talvez dure pouco porque ele nos ameaçou dizendo que considerar todas as possibilidades, inclusive a de ficar. Pode ser que tenha sido apenas mais uma declaração, iguais as outras que geraram forte crítica e controvérsia no cenário político e social brasileiro.
Quem não se lembra de: "Perdeu, mané, não amola": a um manifestante em Nova York, em novembro de 2022, ou "Nós derrotamos o bolsonarismo para permitir a democracia", em um congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em julho de 2023. Vale lembrar outra frase do Barroso, até porque essa a gente concorda com ele. "Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia", em resposta ao ministro Gilmar Mendes, em 2017. Outra dele foi; "Conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará", para rebater acusações de fraude no sistema eleitoral feitas por Bolsonaro.
São falas que revelam mais um militante político ao invés de um juiz, que acabou ultrapassando as barreiras institucionais, se envolvendo em debates ideológicos de maneira inadequada para seu cargo. Mas houve também, diversas ocasiões em que Barroso ficou em silêncio; Quando Moraes inaugurou o inquérito do Fim do Mundo, ou quando Lula foi descondenado por um capricho do CEP. Ficou mudo também, quando o programa Terça Livre foi empastelado, afetando milhões de brasileiros que o seguiam. Ao contrário, o ministro que promete nos deixar em paz, falou muito ao se empenhar para destruir o projeto que tornaria o voto impresso auditável. Depois ficou em silêncio, no momento em que o Artigo 53 da Constituição foi rasgado para condenar o deputado Daniel Silveira por crime de fala.
Tem mais; no momento em que o STF calava vozes em todo o país, Luiz Roberto Barroso teve coragem para afirmar: “Não existe censura no Brasil”. Se ele sair mesmo, ainda teremos muito trabalho para "despolitizar" o Judiciário. Não fará falta.
Vicente Lino.