Na recente operação policial no Rio de Janeiro, os resultados foram expressivos: a Defensoria Pública chegou a contabilizar mais de 130 mortos, 133 pessoas presas e 118 armas retiradas de circulação, incluindo 91 fuzis. Segundo a Polícia Civil, a droga apreendida na comunidade representou a maior perda financeira do Comando Vermelho desde a sua fundação.
De um lado, uma parcela significativa da população e o próprio governo estadual veem a ação como uma resposta firme e legítima do Estado para conter a expansão e o poder do crime organizado. O secretário de Polícia Civil chegou a descrever o evento como o "maior baque" que a facção já sofreu.
Entretanto, incomoda o profundo contraste entre o desejo de segurança da população e o embate com a oposição e grupos de defesa dos direitos humanos. Estes condenam a operação pela forma como ocorreu, chegando a classificá-la como uma chacina e questionando o uso da força. O Ministro da Justiça, por sua vez, solicitou explicações ao governador, enquanto a oposição e ativistas intensificam as críticas à polícia, questionando a política de segurança e o número de mortos.
A situação política é tão grave que, imediatamente após a ação policial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou o julgamento de um recurso que pede a cassação do Governador Cláudio Castro, em um processo do qual ele já tinha sido absolvido em 2024. Se o TSE acatar o recurso, o governador pode perder o mandato e ser declarado inelegível.
Nesse contexto, políticos subiram o morro, demonstrando posicionamento contrário às ações do governador. Essa atitude é vista como irresponsável, pois só serve para criar um ambiente de instabilidade e insegurança jurídica para os policiais que atuam no front. Além disso, desvia o foco do combate ao crime para a disputa política. Fica evidente que esses atores priorizam a manutenção do poder em detrimento das necessidades de segurança da população.
Vicente Lino.