No exterior, o Presidente Lula afirmou que os usuários de drogas também são responsáveis pelos traficantes. A fala é absurda num país onde comunidades inteiras vivem sob o domínio das facções e mostra um enorme descaso com a segurança dos brasileiros. Lula sabe que o Brasil se tornou uma das principais rotas do narcotráfico internacional, e que centenas de toneladas de cocaína e maconha cruzam nossas fronteiras todos os anos. Uma parte fica aqui, alimentando o crime organizado, corrompendo instituições e espalhando medo.
Facções como o Comando Vermelho, o PCC e outras menores já controlam 1.377 comunidades. Lá, o Estado não entra, o direito de ir e vir é vigiado por barricadas e cada morador precisa pedir permissão até para fazer uma mudança. Nessas áreas, o traficante virou autoridade, juiz e executor. A culpa nunca será só usuário. Lula finge se esquecer que o governo federal é o responsável pela segurança e fiscalização das fronteiras. Ele comanda um país que registra mais de quarenta mil assassinatos por ano, muitos deles ligados diretamente ao tráfico de drogas e às disputas de território entre facções rivais.
É uma tragédia silenciosa que ceifa vidas todos os dias, principalmente de jovens e moradores das periferias. Diante desse cenário, culpar o usuário como se ele fosse o único problema é uma simplificação perigosa. É ignorar que o tráfico prospera porque o Estado é fraco, porque as fronteiras são vulneráveis e porque o sistema de justiça é ineficiente. É fechar os olhos para a estrutura gigantesca que movimenta bilhões de reais e domina o território nacional com armas de guerra.
No lugar dessa fala, o governo Lula deveria encarar a realidade, tratar o narcotráfico como ameaça à segurança nacional e prender os criminosos.
Vicente Lino.