O noticiário recente dá conta da duplicação da BR-163 e o Mato Grosso comemora. As obras, que já alcançaram custos de R$ 10,6 bilhões, representam uma duplicação que se tornou necessária, principalmente, por conta da paralisação do projeto da Ferrogrão. Essa ferrovia foi projetada para percorrer 933 km, conectando a cidade de Sinop (MT), o principal polo produtor de grãos da região, até o distrito de Miritituba (PA), situado às margens do Rio Tapajós. O projeto não saiu do papel.
Para não variar, o principal entrave foi uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6553) movida pelo PSOL. Em março de 2021, o Ministro Alexandre de Moraes concedeu liminar suspendendo o projeto, sob o argumento de que a alteração dos limites do Parque do Jamanxim seria inconstitucional. A militância do PSOL brada em defesa ambiental porque o trecho da ferrovia ocuparia meros 0,06% da área do Parque. Ocorre que a verdadeira comparação ambiental vai muito além da área ocupada pelos trilhos.
Um trem consome, em média, um quarto do combustível que um caminhão gastaria para levar a mesma carga. A moçada do PSOL talvez não saiba que a Ferrogrão retiraria das estradas cerca de 1 milhão de viagens de caminhão por ano. Isso representa uma redução de aproximadamente 40% nas emissões de gases poluentes no corredor logístico do Mato Grosso. Estudos apontam para uma economia de R$ 19 bilhões em frete. Nesta toada, para "preservar" 0,06% de um parque, deixa-se de reduzir drasticamente as emissões de carbono no transporte de grãos.
Além do prejuízo financeiro, há o custo humano: a BR-163 registrou 45 vidas perdidas em 2025, apenas no Mato Grosso. São pais, mães e trabalhadores que se tornaram estatística em colisões frontais que a Ferrogrão poderia ter evitado. O PSOL, certamente, não foi a nenhum desses velórios.
Vicente Lino.