A Justiça Federal homologou o acordo entre a Âmbar — dos espertalhões da J&F — e a Agência Nacional de Energia Elétrica. Para os favorecidos, o governo flexibilizou as regras para que a Amazonas Energia receba R$ 15,8 bilhões extras ao longo de 15 anos. Esse valor será diluído nas nossas contas de luz através de encargos. Nós, consumidores, vamos "financiar" a recuperação da empresa que a J&F comprou. O aporte de R$ 9,8 bilhões da empresa é, no fundo, uma antecipação de recursos que ela recuperará — com muita folga — através desse subsídio garantido pelo governo e pago por nós.
O que se vê é um "alinhamento planetário" de privilégios em favor da J&F, dos irmãos Batista. Não faz muito tempo, uma decisão do ministro Dias Toffoli suspendeu a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da empresa; e agora, o setor elétrico brasileiro nos apresenta uma nova conta. A coisa é tão escandalosa que a área técnica da Aneel apontou que seriam necessários R$ 8 bilhões para equilibrar a concessão, mas o governo praticamente dobrou o benefício para facilitar a entrada da Âmbar no negócio.
Os espertalhões da J&F devem ter gostado do negócio.Também não faz muito tempo que, em suas delações, Joesley Batista, da J&F, detalhou um repasse de 150 milhões de dólares em contas no exterior destinadas a Lula e Dilma. Na cotação de hoje, valem mais de R$ 800 milhões. Temos, então, um ciclo que se fecha: confissões de ontem, multas suspensas hoje e contratos bilionários garantidos para amanhã. Enquanto as multas bilionárias evaporam nas canetas do Judiciário e os privilégios contratuais são carimbados pelo Executivo, a conta chega pontualmente no boleto de energia de cada brasileiro.
Misericórdia! E Lula ainda ameaça o país com outros quatro anos de governo.
Vicente Lino.