A Procuradoria-Geral da República diante dos fatos que envolvem o Supremo, afirmou que não vê indícios de crimes que mereçam ser investigados. O procedimento do Procurador-Geral, Paulo Gonet, é um risco à sobrevivência democracia, porque ele sabe das relações extrajudiciais entre ministros do STF e o Banco Master; por isso mesmo, a abertura de inquérito não é uma escolha política, mas um dever funcional. Paulo Gonet sabe que sua missão é fiscalizar a lei, e ninguém pode estar acima dela se quisermos salvar a credibilidade do Judiciário.
A PGR deveria, por exemplo, questionar por que familiares de ministros utilizaram aeronaves de Daniel Vorcaro; ou apurar a natureza de contratos que chegam a 129 milhões de reais. Esse silêncio levanta questões sobre conflitos de interesse. O Procurador tem o dever de investigar como se adquirem 23 milhões de reais em imóveis em apenas cinco anos. Se a transparência patrimonial é, de fato, o pilar da magistratura, Paulo Gonet tem que falar sobre o Resort Tayaya e seus sócios, bem como sobre o repasse de 18 milhões de reais ao filho de um ministro. Calado, o Procurador alimenta uma nuvem de suspeição que paralisa a justiça.
Ele parece não saber onde termina a relação privada e onde começa o favorecimento institucional. O sistema se retroalimenta quando se fecha em uma postura de apoio irrestrito aos seus membros frente a denúncias graves. Essa dinâmica corrói a própria instituição: o que eles chamam de "defesa da democracia" nada mais é do que uma blindagem corporativista. Uma instituição forte não é aquela que se esconde das investigações, mas a que se depura através delas. Ou a PGR cumpre seu papel e investiga com rigor ou assumiremos que o Brasil vive sob um regime onde o símbolo da balança foi substituído pelo privilégio.
A salvação das instituições começa, necessariamente, com a coragem de enfrentar a verdade.
Vicente Lino.