Recentemente, o ministro Gilmar Mendes tentou livrar seus colegas do escândalo do Banco Master ao afirmar que a crise “não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”. Foi uma tentativa explícita de isolar a corte e blindar seus pares de um esquema com ramificações profundamente fincadas no coração de Brasília e no STF. Gilmar finge não enxergar o rastro que aponta justamente para os tribunais superiores — como, por exemplo, o resort ligado a Dias Toffoli e o contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes.
Ele também ignora o fato de o ministro Toffoli ter tentado impor sigilo às investigações, além das trocas de mensagens às vésperas da prisão de Daniel Vorcaro. Deu de ombros para as caronas em jatinhos, os patrocínios de eventos e as recepções de alto luxo que contaram com a presença de membros do STF, do Judiciário e do procurador-geral Paulo Gonet. A opinião pública e os analistas independentes sabem que a influência e o dinheiro do banqueiro eram distribuídos para a elite do poder em Brasília.
A sociedade percebe que a estratégia do Supremo é transferir a culpa integralmente para os agentes de mercado e blindar os ministros envolvidos. Essa blindagem corporativista soa ainda mais grave diante do contraste com o rigor dos inquéritos e das sentenças aplicadas contra o cidadão comum. Os indícios são tão robustos que Gilmar não convencerá a opinião pública. A sociedade brasileira demonstra um cansaço profundo e exige investigações isentas e a punição severa de todos os envolvidos, principalmente neste momento de grave crise de credibilidade institucional.
Ele precisa entender que a blindagem não é mais tolerável e que o país exige que a lei, enfim, valha para todos.
Vicente Lino.