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Coluna/Opinião

É urgente um posicionamento em defesa da liberdade - Vicente Lino.

Data: Quarta-feira, 10/06/2026 20:29

Nos tempos que correm, não é surpresa que tanta gente prefira o silêncio prudente, que pode ser interpretado como conivência ou apenas como o medo administrado; e isso não é por acaso. É porque nos lembramos das atrocidades cometidas de forma ilegal contra aqueles que queriam apenas se expressar livremente. Contra a lei, o Estado brasileiro criou um fantasma real e palpável: o fantasma de que pode, a qualquer momento, nos calar.

O pior e o mais grave desse momento é que a sociedade parece estar normalizando essas atitudes, ainda que elas sejam flagrantemente contrárias à lei. Nessa toada, o arbítrio vai-se tornando paisagem, e o absurdo, quando repetido diariamente, passa a ser aceito como o novo normal. Nada disso é normal! Se aceitamos, o arbítrio só se agiganta. Passou da hora de uma reação ordenada, institucional e madura, capaz de restabelecer a coragem e devolver ao povo o seu bem mais precioso.

Afinal, é da própria essência da democracia — e está cravado na Constituição — que todo o poder emana do povo; e esse poder só existe se houver a garantia plena de nossa liberdade. Viver sob o império do medo não é exercer a cidadania e, por isso mesmo, defender o direito à opinião é um dever civilizatório. O Estado precisa respeitar o nosso direito de opinião, mesmo aquela opinião que não o agrada. A praça pública não pode ser um tribunal de exceção nem um privilégio concedido. A liberdade é indispensável para a dignidade humana e o progresso de qualquer sociedade.

Em contrapartida, a tirania se revela abjeta por tentar acorrentar o pensamento e governar pelo medo, sufocando a alma de uma nação. É por isso que rejeitar o arbítrio e defender o direito de falar e existir livremente continua sendo o nosso dever civilizatório mais urgente.

Vicente Lino.

É urgente um posicionamento em defesa da liberdade - Vicente Lino.