O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez um esforço concentrado na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário para emplacar a indicação de Benedito Gonçalves para Corregedor do Conselho Nacional de Justiça. No dia 10 agora, o Senado aprovou o nome com 53 votos favoráveis e 16 contrários, dando mostras de que continua de costas para o país. Vale lembrar que Benedito Gonçalves proferiu a célebre frase “missão dada é missão cumprida” no ouvido de Alexandre de Moraes, foi o relator do processo que declarou a inelegibilidade de Jair Bolsonaro por oito anos e votou pela rejeição do recurso que confirmou a cassação do mandato de Deltan Dallagnol.
Os senadores esqueceram também o rigor ético ao ignorar a participação do ministro em um evento que custou 648 mil dólares — pagos por Daniel Vorcaro antes de ser preso —, além de ele ter sido citado na delação premiada de Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato. Nada disso importou para os parlamentares. Em mais um capítulo melancólico da nossa história, o Senado Federal ignorou o clamor por isenção no controle do Judiciário e reafirmou sua desconexão crônica com a realidade do país. Enquanto a sociedade exige transparência, moralidade e um freio nos excessos institucionais, os congressistas decidiram dar as costas ao povo brasileiro em vez de atuarem como os verdadeiros representantes dos estados e dos cidadãos.
Essa escolha corrói severamente o que ainda resta de confiança nas instituições. Mais uma vez, o Senado, definitivamente, votou contra o povo. Ao eleitor, cabe agora examinar quem votou a favor de Benedito Gonçalves e, nas próximas eleições, botá-lo para fora do Congresso com a força do voto.
Vicente Lino.