Acabo de ler um pequeno grande livro do economista Murray Rothbard: “Anatomia do Estado”. Nele, o pensador libertário define o Estado como a “sistematização do processo predatório sobre um determinado território”. Em português claro: o governo não está aí para te proteger, mas para te roubar.
Por vias diferentes, Rothbard chega a conclusões parecidas com as de Erik von Kuehnelt-Leddihn e Bertrand de Jouvenel, que viam o Leviatã como um monstro que suga as energias vitais da sociedade. Leddihn dizia que o Estado é uma decorrência do pecado original.
Nesta semana, Gilmar Mendes e André Mendonça travaram uma discussão no Supremo Federal. O decano criticou o uso de delações e tentou circunscrever o escândalo do Banco Master à “Faria Lima”. Em resposta, Mendonça afirmou que as investigações não dependem de delações e usou uma palavra que causou constrangimento entre seus pares: máfia.
Sempre me lembro do filme em que um mafioso exige de um comerciante a taxa de proteção.
— Taxa para me proteger de quem? — pergunta o comerciante.
— De pessoas iguais a mim.
O Estado faz o mesmo. A máfia se encaixa perfeitamente na definição de Rothbard. Pergunto: qual é a diferença entre o Estado brasileiro comandado pelo Regime PT-STF e uma organização mafiosa? Onde está o limite entre esse Estado e o crime?
O Banco Master não é metáfora; é metonímia. A fraude bilionária representa apenas uma parte do assalto permanente que o Estado e seus jagunços privados — incluindo facções narcoterroristas — fazem contra a sociedade todos os dias, por meio de roubos, impostos, censura e perseguições.
Até 2015, Gilmar defendia a Lava Jato. Tornou-se seu maior inimigo quando ela atingiu aliados. Hoje, precisa desesperadamente de um “boi de piranha” para evitar danos ao sistema de poder central. Se essa investigação for levada às últimas questões, o Brasil entenderá finalmente que não existe diferença entre Estado e máfia.
Paulo Antônio Briguet. Jornalista e colunista da GAZETA DO POVO.