Não é nenhuma novidade, mas os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes acabam de votar para liberar o pagamento de parte dos chamados “penduricalhos”, que havia sido suspenso pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo próprio STF. Por enquanto, ainda não sabemos no que vai dar, pois os demais ministros podem se manifestar até a próxima terça-feira, dia 30. Só nos resta rezar e lembrar que enquanto os brasileiros acordam cedo para enfrentar transportes públicos lotados e fazer o salário mínimo esticar até o fim do mês, o topo da pirâmide vive muito bem. E a coisa não para por aí.
Essa elite tem direito a refeições com lagostas e vinhos com exigência de até quatro premiações internacionais, automóveis blindados de última geração e o uso indiscriminado de jatos da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois, é só partir para jantares de gala em Nova York — custando cerca de 648 mil dólares e financiados por Daniel Vorcaro antes de ser preso —, locais luxuosos onde julgadores e julgados confraternizam longe dos olhos do povo. Suas excelências não se contentam apenas com auxílios-moradia, alimentação e saúde retroativos.
Tanto que estão enredados em escândalos envolvendo contratos nebulosos de R$ 129 milhões feitos a portas fechadas, além da venda de resorts de luxo nunca explicada para o povão que paga a conta. A situação piora muito porque qualquer contestação pública ou jornalística é frequentemente sufocada por ameaças de processos, inquéritos de ofício e injustiças judiciais. Quem deveria guardar a Constituição usa o peso da toga para intimidar a crítica e esconder os próprios excessos.
A volta dos penduricalhos prova que, no Brasil, a austeridade fiscal é uma regra que só vale para quem está na base. Para o topo, o orçamento é infinito — e a falta de pudor também.
Vicente Lino.