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Coluna/Opinião

 No Brasil, o arcabouço jurídico blinda projeto de poder - Vicente Lino.

Data: Terça-feira, 07/07/2026 22:04

 Atravessamos um longo tempo em um sistema irresponsavelmente construído para se fechar em um ciclo de permanente alimentação mútua. Esse arranjo se apresenta como democracia e, a partir daí, domina as instituições e o orçamento, direcionando recursos para apadrinhados e partidos políticos. Depois, o sistema financia as campanhas para comprar o apoio político. Tudo com o dinheiro dos nossos impostos, claro.

A dominação das instituições e do Judiciário é o ápice do processo. Neste cenário, os operadores do Direito e os membros das altas cortes passam a partilhar dos mesmos princípios. Como consequência, o próprio arcabouço jurídico começa a ser interpretado para blindar o projeto de poder, e o ativismo judicial passa a suprir a falta de maioria no voto popular.

O Congresso debate, vota em plenário, aprova a lei, e o STF posteriormente a declara inconstitucional. Embora autoridades dos três Poderes da República falem em democracia diuturnamente, a percepção que se tem é de que há uma simbiose entre partidos de esquerda e o topo do Poder Judiciário. É essa imoralidade que fundamenta o ceticismo da sociedade civil em relação à própria higidez do regime democrático.

Faz muito tempo que o cidadão comum, o pagador de impostos, passou a figurar apenas como o mantenedor financeiro dessa antiga estrutura. Nada muda. Há tempos o Estado deixou de servir à sociedade para servir à própria casta que o comanda, transformando a democracia em uma fachada onde o poder muda de mãos, mas o projeto de controle permanece inalterado. Depois da Copa, virão as eleições. Mais uma representação teatral de péssimo gosto, com atores canastrões e péssima direção.

Sem reação, nada vai mudar. Em outubro, as lonas do circo estarão instaladas e novamente seremos os palhaços.

Vicente Lino.

 

 No Brasil, o arcabouço jurídico blinda projeto de poder - Vicente Lino.