Recentemente, a PF realizou uma operação de busca e apreensão contra um de seus peritos, suspeito de vazar informações sobre o contrato de 129 milhões da esposa do ministro Moraes com o Banco Master. A Polícia Federal afirmou que a operação tem como objetivo apurar suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação e que o agente foi afastado. Neste caso, o Estado agiu com velocidade cirúrgica: o agente foi rapidamente afastado de suas funções e virou alvo de mandados de busca e apreensão. Claro que proteger o sigilo é uma ação legítima e necessária.
O problema é que, enquanto o mensageiro é punido na velocidade da luz, as providências para esclarecer o conteúdo das mensagens dormem um sono profundo. A opinião pública quer saber: qual será a celeridade do Estado para investigar a fundo, além desse caso, os desdobramentos que envolvem os ministros Dias Toffoli e o filho do ministro Kassio Nunes Marques, ou os encontros de alto escalão do presidente Lula e de Gabriel Galípolo com o próprio Vorcaro? Se o vazamento de dados fiscais e conversas privadas gerou uma reação imediata e enérgica por parte do Judiciário, tudo o que foi vazado também exige uma resposta imediata.
Afinal, a mesma pressa em estancar o vazamento de informações deve pautar a apuração sobre a conduta e as relações das autoridades mencionadas. De um lado, o aparato estatal se move de forma implacável para punir quem quebrou o sigilo; de outro, deixa dormir ou esconde as investigações sobre o que foi revelado. Continuamos na mesma toada, que mostra que as instituições são céleres para blindar a si mesmas e seus integrantes, mas carecem do mesmo senso de urgência quando se trata de prestar contas e dar transparência aos atos dos detentores do poder.
Vicente Lino.