Em meados deste mês, os deputados estavam analisando seis medidas provisórias editadas pelo governo que abrem créditos extraordinários de 1,097 bilhão de reais. Claro que é para a gente pagar com os nossos impostos.
Em teoria, os tais créditos extraordinários só podem ser utilizados em situações extremas, onde o governo precisa agir rápido e gastar o que não estava planejado para salvar vidas. Na prática, quando a teoria desce ao chão do cenário político, a história muda de figura. Quando bilhões de reais são liberados, a verdade incômoda é que essa dinheirama toda quase nunca é aplicada com eficácia, muito menos fiscalizada como deveria.
Abre-se uma avenida larga para o velho "pedágio" fisiológico, onde o recurso que deveria socorrer quem perdeu tudo em uma enchente, por exemplo, acaba alimentando o bolso de quem já tem muito.
Além do que, os espertalhões querem os bilhões em plena campanha política. Se forem eleitos, repetem a sinistra história no próximo mandato. A "tigrada" finge não saber que o déficit acumulado e a dívida significam juros mais altos, inflação no supermercado e menos investimento de verdade no futuro.
Tratar o orçamento público como um poço sem fundo é empurrar o país para o abismo. A solidariedade com as vítimas de tragédias é indispensável, mas ela não pode ser usada como desculpa para a farra com o dinheiro dos nossos impostos.
O socorro rápido nas crises é necessário, mas precisa, acima de tudo, de seriedade, rigor e respeito com cada centavo que sai do bolso do trabalhador — muito embora suas excelências não liguem para nada disso.
Vicente Lino.