O pedido de Alexandre de Moraes para investigar André Mendonça expõe uma disputa interna no Supremo Tribunal Federal e comprova a deterioração institucional de uma corte que, há muito, parece funcionar sob a lógica da autoproteção e do cálculo político. Ao receber a solicitação sem impor contrapesos imediatos, Edson Fachin deixa a impressão de que investigações de alto impacto se transformam em moeda de troca ou salvaguardas corporativistas.
É fácil perceber que essa reação orquestrada visa blindar figuras-chave do poder e conter apurações que ameaçam a estabilidade da cúpula política e judiciária. O que testemunhamos, mais uma vez, é o desgaste acelerado da credibilidade do Judiciário e a consolidação de uma descrença profunda de que ainda possa haver qualquer desfecho imparcial, sério ou honrado.
O resultado desta manobra inaceitável é a erosão da confiança nas instituições democráticas. Sem margem para reação, o cidadão assiste ao aparelhamento do Estado em benefício daqueles que sequestraram o regime democrático em favor de interesses próprios. Este triste episódio remete ao lamentável histórico da Operação Lava Jato: o presidente e os demais implicados foram soltos, as confissões documentadas foram ignoradas e todo o processo acabou anulado. Hoje, os envolvidos desfrutam do dinheiro devolvido e se regozijam com o perdão de multas bilionárias.
Exige-se, portanto, uma postura firme e imediata. É indispensável que a imprensa cumpra seu papel fiscalizador, que as entidades de classe rompam o silêncio e que a classe política, ao lado de toda a sociedade, reaja com indignação e altivez.
Se não houver uma mobilização irrestrita e corajosa de todos nós, jamais sairemos desse abismo.
Vicente Lino.