É impressionante: em reunião de um grupinho da Globo, a jornalista Ana Flor afirmou que os ministros do STF disseram a Rogério Marinho que “não vão aceitar tudo”. Segundo ela, suas excelências até aceitam discutir, por exemplo, mandato para ministros, aceitam debater o fim das decisões monocráticas, o fim do alcance do Supremo em questões penais e por aí vai. Com um tom severo, olhos arregalados e contando nos dedos, ela afirmou, com ares de Cleópatra, que “tem coisas que o Supremo não vai aceitar discutir”. Entusiasmada, Ana Flor disparou: “Impeachment de ministros, por exemplo — isto vai dar embate e isto foi avisado a Rogério Marinho.
Também aposentadoria compulsória ou aumento do número de vagas”. Natuza Nery empurrou a conversa afirmando que isso é coisa de ditadura. Ainda entusiasmadinha, a jornalista afirmou que esse tema vai dominar o primeiro ano de governo, além de reiterar que o Supremo não vai aceitar isto! Sabemos todos do entusiasmo do grupo de jornalistas da Globo com o governo Lula, que dependeu do tribunal para voltar ao poder e continua dependendo dele para se manter nele. Ainda assim, vale perguntar a Ana Flor e sua trupe: como reparar o inquérito das fake news, aberto de ofício e entregue sem sorteio a Alexandre de Moraes? Ou as 2.000 pessoas presas em foro inadequado, sem juiz de garantias e sem individualização de conduta? Como desvendar o mistério das imagens desaparecidas que ajudariam a esclarecer aquele triste episódio?
Aquela trupe está convidada a nos explicar como reparar a morte de um brasileiro na prisão após oito pedidos de soltura negados para tratamento de saúde pelo mesmo ministro. Quem sabe a galera nos explique por que Dias Toffoli viajou no jatinho do advogado de Vorcaro e como recebeu R$ 35 milhões por sua cota no Resort Tayayá. Ou por que Alexandre de Moraes aditou um contrato de R$ 131 milhões do banco de Vorcaro com sua mulher. Ou ainda por que Flávio Dino e Gilmar Mendes explodiram com a sessão que pedia, ao menos, a investigação do ministro O voto soberano do povo pensa de forma contrária a Ana Flor e sua trupe. São milhões de brasileiros a exigir que a lei, afinal, seja cumprida.
Vicente Lino.