Frequentemente tentamos entender o que explica a preferência do eleitorado nordestino por Lula e pelo PT. Em artigo publicado na Gazeta do Povo, o jornalista Fabio Calsavara aponta uma correlação clara entre menor desenvolvimento socioeconômico e maior votação no candidato petista. As estatísticas indicam que, quanto mais baixo o IDH da região, mais esmagadoras são as votações no PT. Há exemplos claros: os municípios de Serrano do Maranhão (MA) e Melgaço, no Pará, onde até 87% dos eleitores escolheram Lula no primeiro turno, são regiões com baixo IDH. Na outra ponta, em cidades como Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, e Balneário Camboriú (SC), onde o IDH é alto, 87% dos eleitores preferiram Flávio Bolsonaro e apenas 7% votaram em Lula.
Os dados apontam que o Bolsa Família conquistou também a preferência dos pobres urbanos que vivem em grandes cidades mais desenvolvidas. Outro cientista político, Márcio Coimbra, afirma que a relação do Nordeste com o lulismo transcendeu a gratidão pelo Bolsa Família e se transformou em um alinhamento afetivo e cultural profundo. Segundo ele, para grande parte do eleitorado nordestino, votar na esquerda tornou-se um símbolo de dignidade, cidadania e pertencimento político. Percebe-se, também, outro ponto crucial nessa dinâmica: o discurso hostil da direita.
Classificar o voto nordestino como "atraso" ou "dependência" funciona como um verdadeiro repelente eleitoral, gerando uma reação de defesa coletiva na região que empurra os votos de volta para o Talem disso, na maioria dos municípios mais pobres, o poder público é o principal motor da economia. Por isso mesmo, falar em "enxugamento do Estado" soa como uma ameaça ao emprego e à subsistência de muita gente.
Ou a direita readequa seu discurso e oferece soluções condizentes com a realidade de cada região, ou o Nordeste continuará sendo a principal fortaleza do lulismo no Brasil.
Vicente Lino.