Um único dia após o resultado das eleições foi o bastante para o ministro Alexandre de Moraes determinar o cancelamento do passaporte de Flávio Bolsonaro. Em sua avaliação, haveria risco de fuga caso ele perdesse o pleito. Flávio é investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo movimentações financeiras. Ele viajou para os Estados Unidos, onde hoje se encontra sob a guarda do governo norte-americano para evitar a prisão no Brasil e escapar de ter o mesmo destino de seu pai.
Diante dessa rapidez e rigidez, fica difícil compreender por que outras autoridades envolvidas em graves suspeitas de corrupção não sofrem as mesmas medidas cautelares. Relatórios da Polícia Federal confirmaram que o contrato de R$ 131 milhões, firmado entre o Banco Master e a banca de advogados pertencente à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, trazia em seus metadados alterações salvas a partir do usuário "Ministro Alexandre de Moraes". E há mais: nas trocas de mensagens divulgadas pela apuração, Daniel Vorcaro enviava perguntas sobre o andamento dos procedimentos de liquidação do banco e questionava o magistrado, às vésperas de sua prisão, se "precisaria sair do país".
Ainda assim, nada disso bastou para que, ao menos, se iniciasse uma investigação formal contra Alexandre de Moraes. O rito é conhecido: a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa os fatos e, se entender haver indícios de crime, solicita ao STF a abertura de inquérito, com pedidos de busca e apreensão, quebras de sigilo e bloqueio de bens. Ocorre que a abertura da investigação e a adoção de eventuais cautelares dependem do plenário do próprio Supremo, onde atua o próprio ministro.
Conclusão: enquanto Flávio Bolsonaro responde a inquéritos e tenta se defender no exterior sob a constante ameaça de cautelares e prisão preventiva, Alexandre de Moraes permanece intocado. Blindado por seus pares e respaldado pelo posicionamento da Procuradoria, o ministro fica livre para usufruir dos contratos milionários de sua família e de recursos futuros sem qualquer constrangimento legal. É onde estamos!
Vicente Lino.