Quando a gente pensa que já viu de tudo, na bandidagem do Rio de janeiro, o noticiário nos informa que criminosos estão cobrando 500 mil reais, para liberar uma obra na zona norte da cidade e, em várias outras cidades do estado. É sinal que continua, a todo vapor, a diversificação do aparato criminoso que tomou conta do Rio. Segundo o prefeito, Eduardo Paes, os criminosos fizeram a cobrança diretamente à empreiteira, como exigência para que os trabalhos pudessem prosseguir. A obra, orçada em 65 milhões seria para a construção de um espaço para feiras e eventos, com horta urbana, um grande parque, academia e campo de futebol, entre outras atrações. O prefeito correu para as redes sociais. Avisou que não vai fazer o pagamento e pediu providências a Policia Federal. O delegado Ricardo Capelli afirmou que o crime organizado destrói a economia, é inaceitável este estado paralelo,e vai pra cima dos bandidos. A conferir. Fica difícil acreditar em providencias reais, para conter os criminosos, quando se sabe que, dos 1.785 presos beneficiados com a saidinha do natal, 253 não retornaram aos presídios e dois já foram chefes da maior facção de tráfico de drogas do Rio.
Vale lembrar, também, que, desde 2020, uma decisão do ministro Edson Fachin, do STF, proíbiu a realização de operações policiais em comunidades do Rio. Na ocasião o ministro afirmou que as operações, só seriam permitidas em hipóteses absolutamente excepcionais, sem, entretanto exemplificar quais seriam essas hipóteses. Nada de novo. Fácil constatar que a legislação brasileira e as decisões jurídicas operam para facilitar a vida do criminoso. Impedir a ação da policia é mostrar tolerância e sinalizar que a bandidagem pode continuar. Quanto a obra, agora é esperar que a policia do Ricardo Capelli vá pra cima dos culpados, no Rio, com a mesma virulência exibida contra os inocentes, no dia 8 de janeiro do ano passado, em Brasília.
Vicente Lino.