Depois de assombrar o país, com a indicação de Christiano Zanim e Flavio Dino para o STF, o governo continua de costas para a imparcialidade e o bom senso. Ricardo Lewandowski acaba de ser nomeado Ministro da Justiça. O caminho que ele percorreu o credencia para o atual governo. Ajudou Lula quando foi condenado e preso pela Lava Jato e combateu com tenacidade, todo o desenrolar da operação. Lewandowski foi o ministro do STF que mais se opôs à Lava Jato durante toda sua existência. Operou contra a Operação em seu auge e foi figura-chave no processo de sua demolição, com decisões fundamentais que destruíram as investigações. Basta examinar suas ações; ele votou pelo fim da prisão em segunda instância, anulação dos processos por incompetência e suspeição do ex-juiz Sergio Moro, transferência dos casos para a Justiça Eleitoral e invalidação das provas da Odebrecht. Tudo que o presidente, que agora o nomeia, precisava. Depois ainda deu acesso ao material capturado ilegalmente por hackers, usado pelos culpados de sempre para desmoralizar a Lava Jato e anular um número crescente de inquéritos e ações penais por corrupção.
O homem agora será o titular do Ministério da Justiça. Não é pouca coisa. Afinal, o Ministério da Justiça abriga a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. Além da Secretaria Nacional de Políticas Penais. É razoável imaginar que o governo não precisa se preocupar com nenhuma má surpresa, como, por exemplo, uma nova Operação Lava Jato. Em discurso, durante fórum promovido pelo grupo Esfera Brasil, Lewandowski afirmou: “precisamos caminhar para o desencarceramento. Os presídios são escolas de criminalidade” Os desencarcerados agradecem. Principalmente os de colarinho branco.
Vicente Lino