O Brasil apresentou, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, uma meta voluntária para neutralizar a degradação da terra até 2030.
O compromisso envolve 367 milhões de hectares, área equivalente a aproximadamente 43,1% do território brasileiro. A proposta reúne 17 submetas voltadas à prevenção de novas áreas degradadas, à conservação e ao manejo sustentável do solo, além da recuperação de áreas que já apresentam sinais de degradação.
Dos 367 milhões de hectares incluídos na meta, aproximadamente 351 milhões de hectares serão contemplados por ações de prevenção, conservação e manejo sustentável.
Outros mais de 16,3 milhões de hectares, equivalentes a cerca de 163 mil quilômetros quadrados, são áreas que já apresentam degradação e deverão passar por processos de recuperação e restauração ambiental.
Entre as ações previstas estão a recuperação da vegetação nativa, implantação de sistemas agroflorestais e iniciativas em unidades de conservação, Territórios Indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.
O compromisso foi estabelecido diante de um cenário de degradação significativo no país. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, aproximadamente 2,3 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 28% do território brasileiro, apresentam algum nível de degradação.
A linha de base utilizada para a meta aponta ainda que, em 2020, havia cerca de 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação.
O avanço da degradação está relacionado a fatores como uso inadequado do solo, desmatamento, mudanças climáticas e aumento da frequência e intensidade das secas.
A preservação da qualidade do solo é considerada estratégica não apenas para o meio ambiente, mas também para a produção de alimentos, disponibilidade de água, biodiversidade e geração de renda.
Durante a apresentação da meta, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que proteger e recuperar a terra também significa aumentar a capacidade do país de produzir alimentos e enfrentar eventos climáticos extremos.
A meta brasileira foi construída com participação de 65 instituições e está organizada em 17 submetas vinculadas a políticas, planos e programas nacionais.
O acompanhamento deverá ser realizado pela Comissão Nacional de Combate à Desertificação, que reúne representantes de ministérios, governos estaduais e municipais, setor privado e comunidade acadêmica.
A proposta também está relacionada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 15.3, que estabelece o combate à desertificação, a recuperação de terras e solos degradados e a busca pela neutralidade da degradação da terra até 2030.
A COP17 da Desertificação, realizada entre os dias 17 e 28 de agosto na Mongólia, reúne representantes de mais de 190 países para discutir medidas de combate à degradação das terras, desertificação e efeitos das secas.
Para o Brasil, a apresentação da meta representa um compromisso internacional e também um desafio interno: evitar que novas áreas sejam degradadas e recuperar parte dos territórios que já sofrem com a perda da qualidade ambiental.
A expectativa é que as ações previstas até 2030 contribuam para aumentar a resiliência dos territórios brasileiros, proteger os recursos naturais e conciliar produção agropecuária, conservação ambiental e segurança hídrica e alimentar.
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