Uma startup brasileira de tecnologia está usando inteligência artificial para tentar mudar a forma como as forças de segurança investigam crimes no país. A Pax desenvolveu uma plataforma capaz de analisar imagens de câmeras, cruzar informações de diferentes bases de dados e identificar conexões que poderiam levar horas ou até dias para serem encontradas por investigadores.
A empresa foi criada por David Peixoto, fundador da edtech Isaac, após ele passar a estudar os desafios da segurança pública. A ideia surgiu a partir da constatação de que as polícias possuem uma grande quantidade de informações, mas muitas vezes têm dificuldade para cruzá-las rapidamente.
Na prática, o policial pode fazer perguntas à plataforma em linguagem natural. O sistema consegue pesquisar características de pessoas e veículos, horários, trajetos e imagens captadas por câmeras de segurança. Por causa dessa facilidade, investigadores passaram a chamar a ferramenta de “ChatGPT da polícia”.
Um dos casos citados envolve um roubo a uma joalheria em Goiânia. A plataforma ajudou a reconstruir aproximadamente dois quilômetros do trajeto realizado pelos suspeitos durante a fuga. Três pessoas foram presas no mesmo dia e as joias foram recuperadas.
A tecnologia também vem sendo utilizada em Goiás para investigações de homicídios, latrocínios, roubos e furtos. Em Luziânia, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, a utilização da ferramenta esteve associada a uma redução de 27% nos crimes violentos. A secretaria, porém, ressalta que as decisões e operações continuam sob responsabilidade das unidades policiais; a plataforma funciona como instrumento de apoio.
O projeto recebeu US$ 40 milhões, cerca de R$ 200 milhões, em uma rodada de investimentos liderada pelos fundos americanos Greenoaks e Benchmark. O aporte é considerado uma das maiores rodadas seed já realizadas por uma startup brasileira.
A Pax começou 2026 atuando em cerca de 10 cidades e, segundo a empresa, já está presente em mais de 200 municípios, principalmente em Goiás e no Paraná, além de projetos-piloto em outros estados.
A meta da startup é ampliar a presença nacional e chegar a todos os estados brasileiros até o fim de 2027. A proposta é utilizar a inteligência artificial não para substituir o trabalho policial, mas para transformar uma enorme quantidade de imagens e informações dispersas em dados que possam ser consultados e relacionados rapidamente.
A aposta é que, em um país onde organizações criminosas atuam de forma cada vez mais estruturada, a capacidade de conectar informações em tempo real possa se tornar uma das principais ferramentas de investigação e prevenção ao crime.
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