A família de José veio de Jussara PR de caminhão que durou cerca de 6 dias a viajem, no caminhão eles traziam galinha, porco, cavalo, cachorro entro outros, mudas de frutas, que inclusive ficou um pouco para trás na divisa por questão de nota fiscal. Já Elza veio de Tangará da Serra em caminhão também e durou a viajem cerca de 3 dias.
Após ouvirem uma propaganda na Rádio Nacional da Amazônia de que nessa região as terras eram baratas e o lugar próspero. José chegou em Juína em agosto de 1979. Ambos moravam na linha 5 onde a família trabalhava na agricultura familiar e se conheceram, num encontro de jovens na igreja católica.
José passou a lecionar na escola da comunidade Cristo Rei e Elza trabalhava na limpeza e após um tempo de namoro foram morar em castanheira e tiveram 2 filhas Fernanda e Fabiana.
No início eles plantavam café que inclusive veio para cá para plantar sem agrotóxicos e era tudo manual.
Ele era concursado da prefeitura pegando salas de aulas lecionar, terminaram os estudos e iniciaram a faculdades juntos, desde sempre muito companheiros. Com isso ficaram 15 anos morando e trabalhando em castanheira. Ele dava aula lá por 40 horas semanais em 2 períodos. Eles viam uma propaganda da qual dava uma esperança muito grande de castanheira ser prospera e que a Risiê iria se instalar no município e gerar muitos empregos e trazer famílias de fora.
Portanto, quando foi contratado era para dá aula a 60 alunos mas tinha só 6 alunos, isso foi em fevereiro, quando foi em junho lotou que não coube alunos dentro da sala. Com isso a igreja católica cedeu algumas salas anexas para dar apoio aos estudantes. Era muito rápido as mudanças naquela época, castanheira cresceu muito em 6 meses.
Seu José comprou um terreno no módulo 6 depois vendeu e comprou uma chácara em castanheira, ele pagou 60 mil um ano depois ele vendeu por quase 600 mil, devido à valorização das terras naquela época.
Depois ele comprou um sitio na 01 e continuava dando aula de manhã e à noite e durante a tarde ele cuidava do sitio cultivando banana, durante um período depois ele começou a mexer com gado porque a banana acabou.
O visual de Juína em 1979 era mato, mas era uma cidade muito acolhedora, não tinha padre na cidade vinha um de Vilhena para celebrar a missa na igreja.
Tinha uma discoteca que eles vinham a pé ou de bicicletas para dançar e se divertir, porem voltava para casa cerca de umas 19horas, porque eles tinham medo de andar de noite devido os pistoleiros e a noite ninguém circulava nas ruas.
A primeira casa deles na linha 05 eras de madeira, hoje em dia é de alvenaria. Depois quando casaram e foram morar no Cristo Rei dentro de uma escola. Quando chegou em castanheira, Elza já estava gravida cerca de 3 meses, a condição financeira não estava muito boa, eles não tinham fogão, cozinhavam em fogão caipira, e a Codemart cedeu para eles esse espaço que tinha energia e água.
Quando eles estavam construindo a casa própria não tinha dinheiro para comprar cimento batia cascalho de chão, a casa não era matajuntada e não tinha luz era um lampião de querosene e ficava acesso direto para espantar os mosquitos que era muito, quem passava na rua via eles lá dentro.
No primeiro parto de Elza, ela estava trabalhando quando começou a sentir as dores e eles tiveram que vim de carona com um caminhão às pressas para Juína, pois castanheira não tinha hospital, ocorreu tudo certo e foi a cesárea da primeira filha Fernanda. Depois de 2 anos veio a segunda filha Fabiana que nasceu em Castanheira.
O entretenimento daquela época era ir para o rio tomar banho, discoteca e cinema (que foram poucas vezes), e jogo de bola em campos improvisados.
Tinha hospitais e médicos bons em Juína, estrada, pontes, escolas e um Vendão (onde ele trocava banana, porco entre outros em mercadorias de mercado.
As atividades econômicas deles antes, era renda do sitio e da escola. Hoje em dia eles vivem de aposentadoria e agropecuária.
O momento mais difícil que passaram foi quando José trabalhou por 6 meses e não recebeu, trabalhava só para comer. O lanche da escola era almoço e janta. E quando Elza estava gravida não tinha dinheiro para comprar as roupinhas do bebe. Porém receberam muita ajuda dos vizinhos e dos pais dos alunos que sempre levavam alimentos.
Já os momentos bons foram a partir do momento que pegaram o diploma de curso superior e começaram a viajar 1 vez por ano para desfrutar e descansar depois de tanto trabalhar, isso começou a acontecer em 2009.
Antigamente o senhor José bebia muito e a antiga terra dele ele vendeu quando estava meio bêbado e se arrependeu depois de um tempo.
Mesmo vindo para Juína eles continuavam dando aula, foi quando eles começaram a melhorar de vida.
Seu José até hoje gosta de jogar bola, hoje em dia não é ativo como antes, porém joga como goleiro, só que depois que começou a pandemia ele não jogou mais.
Algo marcante para eles foi ver a cidade de Juína crescer e deslanchar e o quando nasceu os netos Davi e Lívia.
Um fato engraçado sobre eles, é que amavam ir no circo ia todos os dias, davam muitas risadas e se divertiam muito mesmo vendo o mesmo espetáculo se repetir. Em Castanheira eles se divertiam indo para festa em comunidades e José jogando bola em campeonato também nas comunidades.
A evolução política do município eles acreditam que foi muito bom e que cada prefeito deixou sua marca. Jose e Elza acreditam que o futuro de Juína é uma cidade produtora de grãos, carne, mas com muitas dificuldades de emprego para os jovens, pois necessita de indústria para geração de mais empregos.
O aprendizado que eles deixam é, acreditar naquilo que faz, tudo que se faz pensando positivo sai positivo, fazer aquilo que gosta e ter afinidade e não desistir de seus sonhos. Não ter medo e nem desistir das lutas e lutar com objetivo.
O segredo do sucesso é nunca desistir dos seus sonhos.
Confira abaixo a história em audio, vídeo e fotos da época.