Sônia chegou em Juína com sua família inteira em fevereiro no ano de 1981, ela já tinha uma filha neném e era casada. Anteriormente eles moravam na cidade de São José do Oeste, a viagem demorou 10 dias de ônibus para chegar em Juína. Seu pai recebeu uma proposta de serviço, venderam tudo e veio na mudança as roupas e algumas panelas, vieram sem nem conhecer nada aqui. Durante o trajeto da viagem o pai de Sonia adoeceu e precisou ser internado em Vilhena, mas eles tiveram que deixa-lo lá e seguir até Juína pois não tinham condições e nem dinheiro para se hospedarem e esperar seu pai melhorar para continuar a viagem.
O pai de Sonia ficou internado alguns dias e assim que melhorou teve alta, mas não tinha dinheiro para vir de ônibus até Juína e recebeu ajuda para conseguir vir até Juína onde a família estava.
Foram cerca de 8 meses de muito sofrimento, plantando arroz. Sônia tinha uma menina de 11 meses, ela ganhava um pouco de leite por semana de um vizinho mas tinha que buscar a pé.
Seu Aparecido chegou em Juína também no ano de 1981. Era casado com Fatima e trabalha com lavoura. Veio com sua família inteira em 10 pessoas. Vieram de pau de arara, demoraram de Tangara da Serra 3 Dias vindo por Vilhena.
Quando ele chegou foi direto para o sitio e nem viu a cidade. Antes de morar aqui veio ele e seu pai para conhecer, mas não compraram terras apenas conversaram com o pessoal. Depois de uma semana vendeu tudo e decidiu vir morar em Juína.
O marido de Sônia foi até a cidade para comprar uma lona para fazer um barraco para eles morarem, mas foi embora sem explicar o motivo e nunca mais voltou. A esposa de seu Aparecido também foi embora por que não gostou de morar no mato depois de apenas 4 meses de casados.
Aparecido sempre via a Sônia de longe, pois ela quase não saia de casa. Então ele mandou um recado para ela através da Maria. Depois de poucos dias, ele foi até sua casa e pediu sua mão em namoro para seu pai, o romance dos dois foram muito rápido, namoraram 1 dia e no dia 3 de junho de 1982 casaram.
No começo foram morar em um barraco de lona com forquilha e não tinha estrada era apenas um carreador. Eles tinham cachorros de caça e eram bravos, como moravam no meio do mato eles amarravam um cachorro em cada ponta do barraco para bicho não chegar perto.
Depois de 15 dias apareceu um maquinário para abrir a estrada. As crianças ficavam sozinhas, o mais velho tinha 12 anos e os adultos iam trabalhar com lavoura.
Sônia ficou grávida de gêmeos, que morreram logo após nascer nasceram de 7 meses. O parto foi em Juína com parteira em 25 de fevereiro de 1983.
Na cidade tinha somente um hospital, a energia era a motor, mercados era do Gringo e Simionato, o restante era tudo mato. As escolas tinham nas linhas.
O divertimento para eles era os homens ir caçar e pescar e as mulheres ficavam em casa jogando dominó.
No ano de 1989 eles foram para o garimpo São Luiz, trabalhava com maquinário e ela como cozinheira onde recebiam em porcentagem.
Era muito sofrido no garimpo, mas lá eles ganhavam muito dinheiro e conseguiram comprar casa, carro e fazer um pé de meia que foi uma grande mudança financeira.
Na época eles pegaram malária várias vezes e as crianças também.
Um marco que teve no garimpo foi quando deu uma chuva muito forte e acabou caindo uma arvore em cima do barracão, tinha três pessoas embaixo, uma morreu a outra quebrou braço e perna e a outra não sofreu nada.
O pior momento que Sônia teve foi quando ela perdeu seu pai, um homem muito bom, trabalhar e amoroso. Faleceu com 72 anos.
E o pior momento para Aparecido foi quando ele perdeu seu pai que era muito doente e teve que dá essa notícia para sua família. Quando perdeu sua mãe também em um acidente. E quando foram assaltados no carrinho de lanche, Sônia avistou dois caras vindo de blusa de frio com capuz. Os ladrões estavam na praça vendo movimento desde das 16hrs e ficou esperando ultimo carrinho ir embora. Foi uma briga muito feia entre eles, seu Aparecido teve a clavícula quebrada e Sônia o dedo cortado. Ficaram traumatizados.
O melhor momento para os dois foi o nascimento dos filhos e quando comprou o carrinho de lanche, que trouxe novos rumos para a família.
Atualmente eles trabalham com carrinho de lanche que é a principal renda e os pioneiros agradecem a todos que ajudaram eles no meio do caminho quando precisaram.
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