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PIONEIROS

Maria Carleuza do Nascimento

Dona Maria Carleuza do Nascimento veio de Tangará da Serra em 1979 junto com a família e alguns conhecidos que já haviam vindo anteriormente e comprado terras em Juína.

Dona Maria Carleuza do Nascimento veio de Tangará da Serra em 1979 junto com a família e alguns conhecidos que já haviam vindo anteriormente e comprado terras em Juína.

Na época da chegada era tudo mato com apenas algumas casas construídas e poucos comércios.

A pioneira conta que não tinha hospital ainda pois estava em fase de construção e no setor industrial já tinha as primeiras madeireiras funcionando.

Carleuza disse que o acolhimento foi muito bom por parte das pessoas que já moravam aqui e a adaptação foi fácil mas tinha muito mosquito e isso foi difícil para se acostumar.

O esposo de Carleuza ficou apenas um dia em Juína e foi embora deixando ela com os filhos sozinhos aqui sem nenhuma estrutura financeira.

Para tirar o sustento dela e dos filhos começou com um pequeno boteco na Avenida 9 de Maio onde vendia bebidas e produtos enlatados pois naquela época o fluxo de pessoas era muito grande e o movimento era bom.

A energia era no motor e quando não tinha ela mantinha no lampião.

O movimento do seu pequeno comercio foi aumentando e tinha dias q ala atendia até as 3 horas da madrugada quando chegava ônibus lotado e as pessoas estavam com fome e procuravam o seu bar.

Um fato que aconteceu depois de 2 anos com o bar funcionando foi quando mataram um a homem dentro do seu estabelecimento e um dos tiros acertou na sua perna e Carleuza teve que ir para Vilhena por que a bala pegou o nervo da sua perna. Foi de avião às pressas pois ela estava sofrendo com muita dor.

Passou por cirurgia mas ficou com sequelas até hoje, sua perna e adormecida, ela conta que foi um momento desesperador e muito traumatizante para ela.

Após esse período ela ficou vários dias com o bar fechado e depois de se recuperar voltou a abrir e o movimento continuou.

Dona Carleuza conta que esse fato foi um caso isolado pois as pessoas que frequentavam seu bar a respeitava e tratavam com educação, inclusive os pistoleiros frequentavam o local e nunca aconteceu nada.

Contou ainda que já viu matando um homem enfrente a rodoviária em plena luz do dia por volta das 14 horas da tarde.

Tinham poucos policiais na cidade naquele tempo eram apenas 4.

A pioneira disse que tem um carinho muito grande pela cidade pois foi aqui que criou seus filhos e continua até hoje.

Como nunca se envolveu muito com a política ela conta que nunca participou das festas e campanhas na época.

A diversão era uma discoteca que tinha ao lado do seu bar na Avenida 9 de Maio, mas dava muita briga e ela tinha medo por que havia até troca de tiros.

Com o passar do tempo as coisas foram melhorando, mas como trabalhava muito e tinha que manter o bar aberto, Carleuza conta que não participava das festas que acontecia.

O garimpo não fez muita diferença para sua vida, pois ela foi embora bem na época e ficou 5 anos em Cuiabá. Apenas seus conhecidos trabalhavam no garimpo.

Para ela o pior momento que vivencio foi quando ela chegou em Juína com os filhos pequenos e foi abandonada pelo marido sem dinheiro e sem casa para morar. Outro momento triste foi quando seu filho foi assassinado e até hoje não se sabe quem cometeu o crime.

Já o melhor momento foi quando a cidade foi se desenvolvendo e ficando mais tranquila e a criminalidade diminuiu.

Carleuza acompanhou o processo de migração das famílias que chegavam todos os dias e se instalando em Juína pois na época era fácil de ganhar dinheiro e fazer amizades.

Ela conta que é muito feliz morando na cidade que viu crescer e se desenvolver, como futuro ela pensa em continuar morando no município e cultivar suas amizades conquistadas ao longo do tempo.

Veja tambem a história em audio e vídeo!