Um casal de turistas do Mato Grosso agredido na praia de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, se manifestou publicamente neste domingo (28/12) após o episódio de violência que marcou o fim de suas férias. A confusão teria começado na tarde de sábado (27), quando os visitantes questionaram uma mudança no valor cobrado pelo aluguel de cadeiras e barraca na areia.
Segundo os relatos dos empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, o valor inicialmente acordado para o uso da barraca e cadeiras era de R$ 50, mas no momento de acertar a conta a cobrança teria sido alterada para R$ 80, sem aviso prévio. Ao se recusarem a pagar o novo valor, começaram as primeiras discussões com um trabalhador da praia, que teria jogado uma cadeira em Johnny, iniciando uma série de agressões.
“Quando fomos pagar a conta, o valor cobrado era outro, quase o dobro. Nós questionamos e eu falei: ‘Cara, não foi esse o valor que você havia combinado com a gente’”, relatou um dos turistas em vídeo publicado nas redes sociais, no qual mostrou ferimentos visíveis no rosto e no corpo.
De acordo com o casal, após o início do confronto, cerca de 10 a 15 pessoas se envolveram na agressão, ampliando o ataque em meio a outros banhistas. Eles afirmam que os salva-vidas que atuam na orla conseguiram retirá-los da cena de violência e que posteriormente foram socorridos por equipes de emergência.
Os turistas relatam ainda temor e sensação de abandono, afirmando que autoridades como o Corpo de Bombeiros só intervieram após o fim das agressões. “Deixaram a gente apanhar para depois socorrer”, declarou um dos homens em outro vídeo gravado após o ocorrido.
O casal registrou o boletim de ocorrência após atendimento médico, horas após o incidente, e afirmou que pertences pessoais chegaram a desaparecer durante a confusão, sendo recuperados posteriormente com apoio policial.
Johnny e Cleiton também anunciaram que pretendem acelerar o retorno ao Mato Grosso por medo de novas represálias e que já acionaram advogados para tomar medidas legais contra a Prefeitura de Ipojuca e o Governo de Pernambuco, buscando responsabilização pelo ocorrido.
A Prefeitura de Ipojuca, que administra Porto de Galinhas, divulgou nota de repúdio ao episódio, classificando o ocorrido como “grave e incompatível com os valores de respeito e hospitalidade” do destino turístico e informou que órgãos competentes apuram o caso para identificar os envolvidos e adotar medidas legais cabíveis.
Paralelamente, autoridades locais identificaram pelo menos 14 pessoas envolvidas nas agressões, que deverão ser indiciadas pelo crime de lesão corporal, segundo informações das investigações em andamento.
O episódio reacende o debate sobre a segurança de turistas em destinos populares de verão e sobre práticas de cobrança e fiscalização na orla, com chamadas nas redes sociais para maior proteção aos visitantes e aplicação mais rigorosa das leis contra violência e abuso comercial. Especialistas em turismo e autoridades locais acompanham o caso, que deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias.
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