O estado de Mato Grosso fechou 2025 com 52 casos de feminicídio, o maior número registrado nos últimos cinco anos, segundo dados do Observatório Caliandra divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O índice supera os anos recentes e acende um alerta sobre a persistência da violência de gênero no estado.
De acordo com o levantamento, os crimes ocorreram entre janeiro e dezembro de 2025, com destaque para o mês de junho, que foi o mais violento, concentrando 10 registros no período analisado.
A maior parte dos feminicídios foi motivada por términos de relacionamentos, ciúmes e sentimento de posse, segundo os dados. A violência, na maioria dos casos, aconteceu dentro das próprias residências das vítimas, o que reforça a dimensão doméstica e íntima desse tipo de crime.
Entre as vítimas, sete tinham medidas protetivas de urgência, enquanto 45 não possuíam nenhum tipo de proteção judicial no momento do crime — um fator que evidencia a fragilidade das redes de proteção e a necessidade de maior alcance das políticas públicas voltadas à prevenção.
O levantamento também revelou um dado preocupante: 87 crianças e adolescentes ficaram órfãos de mãe em decorrência dos feminicídios ocorridos em 2025. Em 2024, esse número havia sido de 83, o que demonstra não apenas uma continuidade dos crimes, mas também seus efeitos devastadores sobre novas gerações.
Entre os casos contabilizados ao longo do ano estão episódios de violência extrema, como o assassinato de mulheres por ex-companheiros ou cônjuges, em contextos que variaram de ambientes públicos a espaços íntimos e residenciais. Os métodos mais utilizados pelos agressores foram principalmente armas cortantes ou perfurantes.
O cenário observado em Mato Grosso reflete uma tendência de persistente violência contra mulheres no Brasil. Estudos e levantamentos nacionais indicam que o feminicídio representa uma parte significativa dos homicídios contra mulheres no país e que o número de casos vem se mantendo em níveis elevados nos últimos anos.
Especialistas em segurança pública e direitos humanos destacam a importância de políticas integradas de prevenção, que incluem não apenas medidas protetivas, mas também ações educativas, fortalecimento de redes de apoio e mecanismos de denúncia acessíveis às mulheres em situação de risco.
Para facilitar a denúncia e o acesso a medidas protetivas, Mato Grosso conta com o aplicativo ‘SOS Mulher MT’, que possui um botão do pânico digital para acionar socorro em casos de descumprimento de medidas protetivas, além de informações sobre delegacias e serviços de apoio — embora esse recurso ainda esteja plenamente operacional apenas em algumas cidades maiores.
O aumento dos casos de feminicídio coloca Mato Grosso em posição de destaque negativo no debate sobre violência de gênero, exigindo respostas articuladas dos poderes públicos, sociedade civil e instituições de segurança. O fortalecimento de políticas de proteção, medidas de prevenção e maior conscientização sobre o tema são considerados passos essenciais para reverter esse quadro nos próximos anos.
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