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NOTÍCIA

OS TRÊS VÍRUS QUE PODEM DESENCADEAR NOVAS CRISES SANITÁRIAS NO MUNDO EM 2026, ALERTAM ESPECIALISTAS

Data: Quinta-feira, 19/02/2026 09:19
Por: Beatriz Rodrigues / METRO FM

O mundo ainda não se recuperou completamente dos impactos da pandemia de covid-19, e agora uma nova combinação de fatores — como mudanças climáticas, crescimento populacional e intensa circulação de pessoas — está favorecendo a evolução e disseminação de outros vírus com potencial de provocar crises de saúde pública, segundo especialistas internacionais de doenças infecciosas e análises científicas recentes. 

De acordo com reportagem baseada em levantamento da revista The Conversation, três agentes virais concentram atenção global em 2026 pelo risco que representam, cada um com características e desafios próprios. 

1. Vírus Oropouche: ameaça crescente especialmente na América Latina

O vírus Oropouche — transmitido por pequenos mosquitos — tem despertado preocupações crescentes entre autoridades de saúde. Produzindo sintomas semelhantes aos da gripe (febre alta, dores musculares e mal-estar), ele foi identificado inicialmente na década de 1950 em Trinidad e Tobago, mas nas últimas décadas expandiu seu alcance para grande parte da América do Sul, Central e Caribe

No Brasil, dados da Organização Pan-Americana da Saúde apontam que, até agosto de 2025, o país concentrava cerca de 90% dos casos registrados nas Américas, com ocorrências em 20 estados e óbitos confirmados pelo vírus em locais como Rio de Janeiro e Espírito Santo. Casos relacionados a viajantes também já foram detectados na Europa, e pesquisadores investigam possíveis formas de transmissão vertical (de mãe para filho), bem como possíveis associações com microcefalia e mortes fetais — questões ainda em estudo. 

Uma das principais preocupações é que, até o momento, não existem vacinas nem tratamentos específicos disponíveis, o que reforça a necessidade de vigilância, prevenção e investimentos em pesquisa. 

2. Gripe aviária H5N1: salto entre espécies preocupa cientistas

Outro vírus no radar global é a gripe aviária H5N1, tradicionalmente associada a aves selvagens e domésticas. Em 2024, o vírus foi detectado em vacas leiteiras nos Estados Unidos, marcando um salto de espécie considerado incomum e potencialmente perigoso. 

Desde então, o H5N1 foi encontrado em rebanhos bovinos em diferentes estados americanos, e há registros de transmissões para humanos, ainda sem evidência de transmissão sustentada de pessoa para pessoa — um passo crucial que poderia desencadear uma crise sanitária em escala global.

No Brasil, o vírus também foi identificado em uma granja comercial em 2025, levando instituições científicas como o Instituto Butantan a desenvolver estudos pré-clínicos para possíveis vacinas. A capacidade de mutação dos vírus influenza e seu histórico pandêmico tornam esse microrganismo um foco constante de vigilância epidemiológica. 

3. Mpox: circulação global e novos sinais de evolução

O vírus mpox — anteriormente conhecido como varíola dos macacos — deixou de ser uma doença rara após um surto internacional iniciado em 2022, quando a variante do clado IIb se espalhou por mais de cem países. 

A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo. Apesar de já existir vacina, autoridades de saúde alertam para a evolução genética do vírus ao longo de 2026, o que pode exigir atualização de estratégias de controle e prevenção. Recentes notificações de novas variantes do vírus em circulação no Reino Unido e na Índia reforçam a importância de sistemas de vigilância robustos — ainda que os casos identificados até agora não tenham se manifestado de forma grave. 

Além desses três patógenos em destaque, outros vírus também voltaram a ser motivo de preocupação no cenário internacional. Entre eles estão o chikungunya, que registrou centenas de milhares de casos e dezenas de mortes em 2025 e que pode se espalhar para zonas temperadas com o aquecimento global; o vírus Nipah, com altas taxas de letalidade em surtos recentes na Índia; e o sarampo, que ressurgiu em várias partes do mundo devido à queda nas taxas de vacinação.

Especialistas ressaltam que a principal lição da pandemia de covid-19 é que a era pandêmica ainda não acabou e que a preparação global para emergências sanitárias precisa ser fortalecida permanentemente. A vigilância epidemiológica contínua, cooperação internacional, campanhas de imunização eficazes e investimentos em pesquisa científica são vistos como pilares para antecipar e mitigar possíveis crises antes que se tornem ameaças maiores à saúde pública.