Um capítulo marcado por dor, fé e luta chegou ao fim após quase quatro décadas em Juína, no noroeste de Mato Grosso. A calota craniana do padre jesuíta Vicente Cañas, conhecido como Kiwxi, foi finalmente sepultada junto ao restante de seu corpo, 39 anos após seu assassinato.
O religioso, de origem espanhola, dedicou mais de 10 anos de sua vida à convivência com povos indígenas da região, especialmente a etnia Enawenê Nawê. Ele se tornou uma figura simbólica pela defesa dos territórios indígenas e pela forte ligação espiritual com a comunidade, que o batizou com o nome Kiwxi, que significa “aquele que se doa por inteiro”.
A parte do crânio, que permaneceu durante anos como prova em um processo judicial, foi devolvida pela Justiça Federal, possibilitando a realização do sepultamento completo. A cerimônia ocorreu entre os dias 6 e 9 de abril de 2026, na Terra Indígena onde o missionário viveu e foi assassinado.
O ato contou com a presença de representantes de entidades como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Operação Amazônia Nativa (Opan), Companhia de Jesus, Diocese de Juína, além de familiares do padre e integrantes da comunidade indígena.
Vicente Cañas foi morto em 1987, aos 47 anos, em circunstâncias brutais. Seu corpo foi encontrado cerca de 40 dias após o crime, próximo ao barraco onde vivia, às margens do rio Juruena. A violência do assassinato marcou profundamente a história da região e dos povos indígenas com quem ele convivia.
Para os Enawenê Nawê, o sepultamento completo tem um significado espiritual profundo. Segundo a tradição, enquanto o corpo não está integralmente enterrado, o espírito não pode descansar plenamente. Com a conclusão do ritual, a comunidade considera que finalmente foi possível dar paz ao missionário.
O desfecho encerra uma longa espera e reforça o legado de Vicente Cañas como um dos principais símbolos da luta em defesa dos povos indígenas no Brasil.
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