A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta sexta-feira (19) que o Poder Judiciário deve priorizar a credibilidade perante a sociedade, e não a busca por popularidade. A declaração foi feita durante o encerramento do evento “A Justiça do Amanhã”, realizado no Rio de Janeiro.
Segundo a magistrada, a principal missão dos juízes é garantir que suas decisões sejam reconhecidas como imparciais e fundamentadas na Constituição e nas leis brasileiras. Para ela, a confiança da população não depende de concordar com as decisões judiciais, mas de acreditar que o magistrado atuou com independência e isenção.
“Precisamos estruturar um poder no qual a sociedade confie. Não quero que ela goste, porque é claro que quem perde uma causa não gosta da decisão”, afirmou a ministra durante o evento.
Cármen Lúcia destacou ainda que o compromisso dos magistrados deve ser exclusivamente com a Constituição e com o cumprimento da legislação, independentemente de pressões políticas, opiniões públicas ou interesses particulares.
A ministra também reconheceu que o Judiciário enfrenta desafios relacionados à confiança da população. Em declarações anteriores, ela classificou a crise de confiabilidade da Justiça brasileira como “grave” e afirmou que o problema precisa ser reconhecido e enfrentado pelas instituições.
As declarações ocorrem em meio às discussões sobre transparência e ética no Supremo Tribunal Federal. Cármen Lúcia atua como relatora da proposta de um código de ética para os ministros do STF, iniciativa que busca ampliar a confiança da sociedade na atuação da Corte.
A ministra ressaltou que a legitimidade do Poder Judiciário não está na aprovação popular de suas decisões, mas na garantia de que elas sejam tomadas com imparcialidade, respeito à lei e compromisso com a democracia.
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