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NOTÍCIA

FIDEL TRANSFORMOU O ESPORTE EM POLÍTICA PÚBLICA E LEVOU CUBA AO TOPO OLÍMPICO

Data: Sábado, 15/08/2026 08:50
Por: Beatriz Rodrigues / METRO FM

A Revolução Cubana transformou o esporte em uma política pública voltada para toda a população e ajudou a colocar Cuba entre as principais potências olímpicas da segunda metade do século 20. A estratégia, implantada a partir de 1959 sob a liderança de Fidel Castro, levou atividades esportivas para escolas, bairros e comunidades e criou uma estrutura de formação de atletas.

Um dos principais marcos dessa política foi a criação, em 23 de fevereiro de 1961, do Instituto Nacional de Deportes, Educación Física y Recreación (Inder). O órgão passou a coordenar a prática esportiva no país, desde a educação física escolar e as competições estudantis até a preparação de atletas de alto rendimento.

A proposta defendida por Fidel era ampliar o acesso ao esporte e evitar que a prática esportiva ficasse restrita a uma pequena parcela da população. Com professores especializados, instalações públicas, centros de formação e competições escolares, o país passou a identificar talentos em uma base muito maior.

Os resultados começaram a aparecer nos Jogos Olímpicos. Em Tóquio, em 1964, Enrique Figuerola conquistou a medalha de prata nos 100 metros, tornando-se o primeiro medalhista olímpico de Cuba após a Revolução. Quatro anos depois, nos Jogos da Cidade do México, a delegação cubana conquistou quatro medalhas de prata.

O crescimento também foi expressivo nos Jogos Pan-Americanos. Em Cali, na Colômbia, em 1971, Cuba conquistou 105 medalhas, sendo 31 de ouro, e terminou na segunda colocação geral, atrás apenas dos Estados Unidos.

Teófilo Stevenson virou símbolo

Entre os principais nomes dessa geração esteve Teófilo Stevenson. O boxeador conquistou três medalhas de ouro olímpicas consecutivas, em Munique, em 1972; Montreal, em 1976; e Moscou, em 1980.

Stevenson se tornou um dos maiores símbolos do modelo esportivo cubano. Mesmo diante de propostas milionárias para seguir carreira profissional nos Estados Unidos, permaneceu em Cuba e continuou representando o país nas competições internacionais.

Além do boxe, Cuba passou a se destacar em modalidades como atletismo, judô, luta, vôlei e beisebol. A formação de treinadores, o acompanhamento médico e a preparação científica dos atletas ajudaram a consolidar o país no cenário internacional.

Esporte como direito social

A política esportiva criada após a Revolução foi apresentada como parte de um projeto mais amplo de acesso da população a direitos sociais. A ideia era aproximar esporte, educação e saúde, utilizando a atividade física tanto para a formação de atletas quanto para a melhoria da qualidade de vida.

Mais de seis décadas depois, o modelo cubano enfrenta dificuldades econômicas e os efeitos do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, mas mantém a estrutura de iniciação esportiva baseada nas escolas e comunidades. O legado de Fidel, segundo a análise publicada pelo portal Vermelho, permanece associado à transformação do esporte em uma atividade popular e acessível à população cubana.