Além do calor, da fraqueza e da insônia, outro sintoma que pode afetar as mulheres durante a menopausa são os problemas capilares, como fios mais finos e quebradiços.
Para entender mais sobre a associação dos cabelos ao período, o gshow conversou com a ginecologista Rita de Cassia Dardes, da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), e a dermatologista cirurgiã Bhertha Tamura, mestre e doutora em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
"A menopausa é marcada por uma queda significativa dos níveis de estrogênio, hormônio que tem papel importante também na saúde capilar. Com essa redução, muitas mulheres percebem mudanças na textura, volume e qualidade dos fios", explica a ginecologista.
O que a menopausa causa nos cabelos?
A dermato comenta que a menopausa afeta vários processos biológicos do corpo, especialmente a parte dermatológica, e decorre do decréscimo dos hormônios, principalmente a queda do estrogênio e aumento relativo de andrógenos.
Quanto ao cabelo, há uma perda maior porque há uma mudança no processo de crescimento, encurtando a fase de crescimento (fase anágena) dele. Sendo assim, o ciclo capilar encurta.
"Há um aumento da fase de queda dos cabelos, chamada telógena, e o diâmetro dos fios diminui. O aumento relativo de andrógenos leva à miniaturização dos cabelos e as alterações metabólicas vasculares no local também aumentam a possibilidade de perda dos cabelos, uma mudança na textura", diz.
A ginecologista complementa a ideia, dizendo que a principal causa disso é o desequilíbrio hormonal. Com menos estrogênio e uma predominância relativa dos androgênios:
- Há afinamento dos fios (miniaturização capilar);
- Redução da fase de crescimento (anágena);
- Aumento da queda;
- Fios mais secos, opacos e sem brilho.
"Além disso, fatores como envelhecimento, genética, estresse e deficiência nutricional podem contribuir", complementa a ginecologista.
Todas as mulheres vão passar por isso?
Segundo as especialistas, não. Bhertha Tamura diz que a taxa é de mais ou menos 50% de mulheres que passarão por isso durante a menopausa. Isso vai variar de pessoa para pessoa, já que fatores genéticos e hormonais individuais são determinantes.
Segundo elas, nem sempre será possível evitar completamente o sintoma, mas dá para minimizar os impactos. A ginecologista dá algumas medidas importantes que podem ajudar nesse período.
- Alimentação equilibrada (proteína, ferro, vitaminas);
- Atividade física regular;
- Controle do estresse;
- Avaliação de deficiências nutricionais;
- Cuidados adequados com o couro cabeludo;
- Em alguns casos, tratamentos dermatológicos e hormonais podem ser indicados.
Sobre os tratamentos dermatológicos citados anteriormente, Bhertha Tamura explica que, geralmente, eles são baseados no uso de Minoxidil.
Além disso, tratamento de afecções associadas, como a dermatite seborreica, alteração na dosagem dos hormônios tireoidianos, uso de antiandrogênios ou associação com terapia hormonal são recomendados.
"Minimizar o estresse do dia a dia, usar produtos agressivos ao couro cabeludo ou aos cabelos, evitar deficiência de ferro, vitamina D e aporte de proteínas também ajudam muito", complementa.
Há um período para acabar?
Isso vai variar de pessoa para pessoa, segundo as especialistas. Rita comenta que as mudanças capilares não acontecem apenas em um momento pontual. Elas podem começar na perimenopausa, intensificar-se na transição e se manter após a menopausa.
"Ou seja, não há um 'fim definido', mas, sim, uma nova fase do cabelo, que pode ser manejada", explica.
Já para Bertha, a perda de cabelo pode ser transitória e tende a estabilizar espontaneamente, mas ela pode ser suave a severa e sempre precisará de um acompanhamento do dermatologista.
Há risco de doenças ou condições capilares surgirem nesse período?
Existe, sim. A menopausa pode favorecer o surgimento ou a piora de algumas condições, como lista a ginecologista a seguir:
- Alopecia androgenética feminina;
- Eflúvio telógeno (queda acentuada);
- Dermatite seborreica;
- Mais raramente, alopecias cicatriciais, como a alopecia frontal fibrosante.
"Por isso, queda persistente ou mudanças importantes devem ser investigadas", indica ela.
A dermatologista comenta que existe um quadro de perda capilar chamado alopecia androgenética feminina, cujo padrão de perda capilar é semelhante ao do homem com tendência à alopecia, em que o cabelo afina e fica mais ralo difusamente, mas é pior no vértex da cabeça, podendo também ocorrer "entradas" de perda de cabelo nas regiões laterais da fronte.
Ela explica também que existe outra afecção chamada alopecia fibrosante frontal, que é mais frequente quando associada à menopausa.
"O quadro do eflúvio somente pode ser transitório, já a alopecia androgenética se torna crônica, desafiando os dermatologistas quanto ao seu tratamento e controle", explica.
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